<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602</id><updated>2012-02-01T15:20:40.269-02:00</updated><category term='Gabriel García Márquez'/><category term='Jack Kerouac'/><category term='O General em seu Labirinto'/><category term='Zeca Baleiro review'/><category term='E os hipopótamos foram cozidos em seus tanques'/><category term='Dance dance dance'/><category term='Caçando Carneiros'/><category term='RPG'/><category term='Haruki Murakami'/><category term='Paulo Leminski'/><category term='William Burroughs'/><category term='geração beat'/><category term='Gozo Fabuloso'/><category term='Leitura'/><title type='text'>disenteria mental</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>58</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-6230231787097128165</id><published>2011-08-22T23:17:00.008-03:00</published><updated>2011-08-23T00:44:24.004-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='William Burroughs'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jack Kerouac'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geração beat'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leitura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='E os hipopótamos foram cozidos em seus tanques'/><title type='text'>Projeto leitura proibida: "E os hipopótamos foram cozidos em seus tanques" - William S. Burroughs e Jack Kerouac. (Cia das Letras)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;text-indent:35.4pt;line-height:normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;Começo agora um novo projeto pra despejar em vocês, moscas leitoras do meu blog, minha prepotente opinião sobre tenho lido. Chamei de leitura proibida porque não deveria estar me deleitando com literatura em tal momento crítico de minha formação acadêmica. O que faço aqui não é resenha, não é crítica literária, é apenas a minha opinião. Como minha produção textual de contos e afins não tem me agradado muito, acho esta uma boa maneira de me reaproximar da palavra escrita. Normalmente quando termino um livro ou um filme, fico boas horas conversando com alguém a respeito dele, e toda vez me arrependo de não ter registrado as nossas discussões em algum lugar. Dessa vez não conversei com ninguém, mas fica o que achei do livro. Pois bem, usem seus muitos olhos de mosca pra ler o cocô da minha pseudocrítica pseudointelectual.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;-----------------------------------------------------------------------------------&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;text-indent:35.4pt;line-height:normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;Acabei de ler esse livro, dos dois mais aclamados escritores da &lt;i&gt;beat generation&lt;/i&gt;. Li de uma sentada, começando às 21h e terminando agora, quase meia noite. A impressão que tive foi a mesma de quando li o &lt;i&gt;On the road&lt;/i&gt;, do Kerouac. Leitura rápida e sem muitos contratempos, feita imersa no livro assim como os protagonistas em seus copos de bebida. Descobri que não gosto muito desses autores. O que é narrado se passa entre muita bebida, apartamentos sujos, falta de grana e uma necessidade impressionante de descrever cada refeição e prato de comida feita pelos personagens ao longo do texto (me deu muita fome durante a leitura!). Esta preocupação em enfocar pequenos fatos repetitivos do cotidiano me lembra um pouco a maneira do Bukowski e do Henry Miller de contar suas aventuras. Mas é bem diferente como isto me afeta. Com o velho Buk e o safado do Miller há um eco em minhas entranhas, paro para reler várias páginas dos seus escritos e reflito ao longo da leitura dos textos, o que me faz  leitora por mais tempo, pelo menos alguns dias ao invés das várias horas seguidas, famintas, que acontecem quando leio livros deste tipo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;text-indent:35.4pt;line-height:normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;Há uma preocupação no Bukowski e no Miller em narrar aspectos mais intimistas dos personagens, o que leva às viagens quase psicodélicas feitas em &lt;i&gt;Sexus&lt;/i&gt; ou às reclamações ranzinzas e profundas que existem em Misto quente e outros do velho, inclusive em sua poesia. O Kerouac e o Burroughs conseguem prender a atenção do leitor por seus personagens cativantes e o que eles fazem, e não pelo que pensam ou sentem.  Também sinto cheiro de falsidade quando leio as ações dos personagens. É como se faltasse&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;autenticidade pra falar de miséria, boemia, falta de perspectiva ou putaria quando paro pra pensar nos autores do livro. Isto é meio inevitável quando no próprio posfácio deste fazem questão de investigar quem era quem no livro e na vida real (atitude pra mim, extremamente desnecessária). Ao imaginar Kerouac e Burroughs, um formado na universidade de Columbia e o outro na de Harvard falando da difícil vida de escritor e os comparo ao velho Buk destilando sua bile literária em noites insones e bêbadas, já que trabalhava nos correios nos períodos da manhã, sinto que fica meio pequeno e fraco o romance, e não me impressionam os fatos narrados. Não a mim, também universitária e frequentadora de apartamentos tão sujos quanto os citados no livro. Há sujeira, mas não aquela sujeira escatológica e humana dos livros do Buk ou do Miller. Eu não gostaria de ter esta sensação, que acaba corroborando com a ideia tola de relacionar &lt;span&gt; &lt;/span&gt;a vida dos autores às suas obras e personagens, dando uma falsa impressão de causa e efeito, mas há um movimento muito forte, uma aura social que envolve esta geração de autores norte-americanos que me faz não conseguir pensar apenas no texto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;text-indent:35.4pt;line-height:normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;No posfácio, o dedicado James W. Grauerholz traz que em uma das entrevistas com Kerouac a respeito deste livro, o autor fala que ele pertence ao gênero existencialista, e que isso foi um dos motivos de não ser aceito por nenhum editor na época em que foi escrito, já que lá pelos anos 40 tal gênero era lido na França, não nos EUA. Lembrando do que já li do Sartre e da Simone, sou levada a discordar. Narrar acontecimentos "concretos" sem se preocupar muito (arrisco a dizer: nada) com os diálogos internos dos personagens, suas tensões e alívios, sua leitura da realidade e afetação causada por ela não me soa muito existencialista. O nível de profundidade buscado pelos autores deste livro se assemelha muito ao que percebo em vários filmes: rápido, caricato, preocupado com a falta de tempo para desenvolver muito os personagens... Aliás, também notei isso no livro do &lt;i&gt;Fight Club&lt;/i&gt;, será que é coisa de autor americano? Pra mim não foi a tendência dos leitores da época ou o fato de o livro se referir a um crime em que seriam facilmente identificadas as pessoas envolvidas que levou à não publicação desta obra, e sim o fato do romance não dizer muito, ser meio gratuito e pouco trabalhado. A odiosa mania  de colocar o nome dos autores em uma fonte bem maior, antes do título do próprio livro, feita pelos infelizes responsáveis por elaborar a capa dos livros "lado b" de autores consagrados me faz acreditar mais ainda nisso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;text-indent:35.4pt;line-height:normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Todavia, não posso deixar de reconhecer o mérito de esse livro ter me feito ignorar todas as minhas obrigações acadêmicas e me fazer terminá-lo em algumas horas de leitura, além de ter me inspirado a abrir esse projeto com ele. As respostas meio automatizadas dos personagens à violência, que sempre recorrem à bebida (e me fazem pensar em como o alcoolismo é um lugar bem fácil de habitar), a sutil apresentação de uma Nova Iorque cheia de trapaças, e negócios escusos, sustentada por um período de incertezas políticas e ideológicas acontecidas no auge da Segunda Guerra Mundial é fascinante. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Pensar que as pessoas liam panfletos trotskistas nos bancos do&lt;i&gt;Central Park&lt;/i&gt; dá outras cores à cultura americana (talvez um pouco mais de vermelho), o que muito me agrada. Me faz refletir em como se deu a formação do pensamento político da dita vanguarda/elite intelectual americana de hoje em dia. Também me dá vontade de assistir um filme bem do tipinho do Woody Allen para ter um gosto de todas as neuroses de um habitante da "grande maçã", das quais tanto senti falta durante esse livro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;text-indent:35.4pt;line-height:normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;Talvez eu devesse ter lido esse livro em inglês para ter gostado mais dele (dos poemas do Bukowski eu só gosto em inglês). Desta forma também não teria visto a tradução duvidosa de "cavity" por "cavidade", não por cárie, numa frase sobre um personagem que não era muito fã de higiene bucal palitando os dentes. &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-6230231787097128165?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/6230231787097128165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=6230231787097128165&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/6230231787097128165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/6230231787097128165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2011/08/projeto-leitura-proibida-e-os.html' title='Projeto leitura proibida: &quot;E os hipopótamos foram cozidos em seus tanques&quot; - William S. Burroughs e Jack Kerouac. (Cia das Letras)'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-7483212529166413444</id><published>2011-08-18T18:50:00.007-03:00</published><updated>2011-08-18T19:46:26.661-03:00</updated><title type='text'>Retrato</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;text-indent:35.4pt;line-height:normal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;text-indent:35.4pt;line-height:normal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;text-indent:35.4pt;line-height:normal"&gt;&lt;span &gt;Mostrou-se um pouco para ele. Despiu roupas, máscaras e o infinito verborrágico que a engatilhava no automático dos dias e sorrisos: lugares comuns para todos, menos ela. Acabavam por ser paradoxais e raros os seus lugares de conforto, a maneira espontânea de flutuar no mundo e cuspir ao vento o disparate da existência. A tensão era sono, o sorriso era rosnado e o ódio uma série de abraços. Em muito eram compostos do feio dia-a-dia do descaso planejado, que crescia em seus dentes uma camada amarela cada vez mais grossa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;text-indent:35.4pt;line-height:normal"&gt;&lt;span &gt;Desta vez não sorriu, não citou ninguém. Mostrou um pouco a luta constante e a tensão cruel que permeava seus dias. Acreditava com isso despertar palavras, elaborações repletas de metáforas, o caminho da fuga percorrido tantas vezes. Olhava para baixo, encarando incrédula as próprias mãos. Como podiam pertencer a ela os dedos abrindo o pequeno livro e oferecendo em sacrifício sua frágil totalidade? Imaginava-o tecendo gestos belos e salvadores de um cristo esquecido, maldito e poderoso. Esperava, talvez, ver nele algum eco de si, algo específico que não sabia definir. Uma possível aura, escondida em seus cantos mais escuros e virginais. Várias partes dela desejavam famintas a defloração semi-consentida feita pelo outro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;text-indent:35.4pt;line-height:normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span&gt;Ele permaneceu quieto. Olhava para as letras trêmulas que ela desvendava, perpassando seus conceitos e ignorando o caderninho preto. Sem piedade, a via concreta. Talvez seus olhos gritassem, quem sabe fazendo nas íris escuras a transubstanciação proibida, pulsante nas partes esquálidas que ela insistia em esconder. Por um instante, quem sabe, teria a rara chance de se ver por completo nos olhos cansados dele. &lt;/span&gt;&lt;span&gt; Mas n&lt;/span&gt;ão conseguiu escapar das próprias mãos. E ao terminar de roer a terceira unha, ela escolheu deixar para trás o mais fiel retrato que poderia ter. Sem ninguém ver, rosnou quieta, virou pro lado e dormiu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-7483212529166413444?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/7483212529166413444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=7483212529166413444&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/7483212529166413444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/7483212529166413444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2011/08/retrato.html' title='Retrato'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-6270133563545830276</id><published>2011-06-24T23:36:00.002-03:00</published><updated>2011-08-18T19:47:02.163-03:00</updated><title type='text'>Ventriloquismo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;text-indent:35.4pt;line-height:normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Nós reclamaremos do governo, das pessoas, da arte, da mídia, uns dos outros, de nossos pais e professores. A existência será destrinchada impiedosamente, com direito a citações, milhões de aspas saltitantes a cada duas frases. A acidez, sedutora. Os porres, belos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;text-indent:35.4pt;line-height:normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Disputaremos implicitamente quem tem os maiores fantasmas, a dor mais cortante, o desgosto e o nojo mais destilados. E no fim de nossos tão fundos poços, aqueles mesmos preconceitos.Espelhos quebrados e retorcidos, refletindo impiedosamente nossos próprios rostos. Tangenciais, mostraremos nossos fantasmas nas críticas repetidas, nas piadas gastas, nas risadas nervosas. Os preservaremos numa saliva grossa, raivosa e acadêmica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;text-indent:35.4pt;line-height:normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Por alguns segundos a mais que o normal, entretanto, abraçaremos uns aos outros, inspirando forte o pequeno tempo entre os braços, o breve silêncio entre as gargalhadas. Embaixo do mesmo tapete, tatearemos sem querer as mesmas inseguranças. E elas serão bregas, (ou &lt;i&gt;kitsch),&lt;/i&gt;patéticas, infantis. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;text-indent:35.4pt;line-height:normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Bem racionais,&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;trataremos essas antigas feridas com poeira. Esfregaremos a carne frágil todo dia, olhando amedrontados para os lados, enquanto engolimos a dor. Jogaremos sal nas feridas, cutucando com as unhas qualquer casca. Na busca infinita pelo calo inexistente dos que parecem controlar gozo letra e lágrima, continuaremos nos expondo, alimentando úlcera e deserto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black; font-family: Georgia, serif; font-size: 15pt; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-6270133563545830276?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/6270133563545830276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=6270133563545830276&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/6270133563545830276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/6270133563545830276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2011/06/nos-reclamaremos-do-governo-das-pessoas.html' title='Ventriloquismo'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-1770368804086245324</id><published>2011-04-04T23:06:00.007-03:00</published><updated>2011-04-05T00:03:02.239-03:00</updated><title type='text'>Do cigarro</title><content type='html'>Fumo porque na minha barriga tem uma brasa. &lt;div&gt;Queima e fura minhas tripas, chega bem perto do meu coração.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quase acende o pavio e liberta paixões,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;monstros&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ciganos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por baixo da minha blusa tem uma brasa, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;passeando pela pele pálida,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;queimando pelos caminhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No meu hálito tem fuligem,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;cada inspiração atiça mais o pequeno sol:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;espia pelo meu umbigo a umidade podre do mundo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esconde-se então, bem lá no estômago seco,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E tenta digerir sozinho os estoques de mágoa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fumo pra minha brasa fingir que sai &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tento colocar sujeira no ar, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas ele continua &lt;/div&gt;&lt;div&gt;puro&lt;/div&gt;&lt;div&gt;leve&lt;/div&gt;&lt;div&gt;distante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tudo que resta é a vontade de apagar a guimba no braço macio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-1770368804086245324?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/1770368804086245324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=1770368804086245324&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/1770368804086245324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/1770368804086245324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2011/04/do-cigarro.html' title='Do cigarro'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-5763144211185486961</id><published>2011-03-26T22:57:00.000-03:00</published><updated>2011-03-27T23:33:50.671-03:00</updated><title type='text'>~</title><content type='html'>Se eu tivesse&lt;div&gt;aquelas pernas&lt;/div&gt;&lt;div&gt;aqueles peitos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;os dentes brancos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;nenhum defeito&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o peito, afoito, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;seria cheio&lt;/div&gt;&lt;div&gt;de um próprio eu&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tão complacente&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sereno, (e)terno.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas não abrigo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a carne certa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Medusa, olho&lt;/div&gt;&lt;div&gt;em meio à pedra,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e sangro&lt;/div&gt;&lt;div&gt;todos os dias&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o mesmo peito&lt;/div&gt;&lt;div&gt;calcificado&lt;/div&gt;&lt;div&gt;faminto&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e só.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-5763144211185486961?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/5763144211185486961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=5763144211185486961&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/5763144211185486961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/5763144211185486961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2011/01/blog-post.html' title='~'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-9049837950905952557</id><published>2011-03-02T01:55:00.013-03:00</published><updated>2011-03-11T23:46:25.798-03:00</updated><title type='text'>Na gaiola / Exercício de observação #6</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-v6VFKry4GZE/TW3gZmZUx3I/AAAAAAAAAIg/wSSyj79eA3g/s1600/tumblr_l6syilQ2FI1qay8jfo1_1280.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 216px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-v6VFKry4GZE/TW3gZmZUx3I/AAAAAAAAAIg/wSSyj79eA3g/s320/tumblr_l6syilQ2FI1qay8jfo1_1280.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5579362243790030706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava fumando na janela novamente. Agora, um novo corte de cabelo e uma taça de vinho no parapeito. Há algum tempo não aparecia, o que alimentou em mim uma triste série de indagações: haveria se mudado? Desistira do cigarro e da música madrugante, mergulhara na mundanidade estúpida de quem dorme antes da meia noite? Percebera o sorriso lascivo por trás do meu vidro, talvez o movimento do meu cigarro na escuridão planejada e segura?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esperei por tanto tempo, eu em minha janela escura, eu e meu binóculo frio e imparcial, observador de nós dois. Eu, atrás das lentes, ela atrás da doce neblina que soltava pela boca, enquanto encarava, firme, as muitas janelas apagadas do prédio à frente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu seria bom um dia, e aposentaria o olhar ávido sobre sua boca, os ombros desnudos, os seios se pronunciando atrevidos por baixo do fino tecido do pijama, mamilos alertas ao primeiro indício de inverno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegaria o tempo em tons pastéis no qual eu trocaria a música e a libido por um silêncio sagrado, interrompido apenas pelo som do vento entre as folhas ou por uma eventual risada pueril entre as árvores de um parque qualquer. Seria bom, e usaria o binóculo para fins cristãos e puros, passarinhos, estrelas. Abençoaria com imagens árcades as lentes, numa inocência bucólica de bom selvagem. Talvez, num lapso, vislumbrasse belas pernas desnudas frente ao calor incansável do verão, mas eu seria bom. Não subiria do colo aos lábios, imaginando sua textura, sua temperatura, as lembranças do gole de vinho que acabou de tomar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As palavras ditas a mim sobre o instrumento que seguro firme nas mãos enquanto o sangue corre para as extremidades de meu corpo não relatavam nada a respeito de curvas num rosto, esmaltes lascados ou sobre a linda dança involuntária da cabeça humana ao som de qualquer tipo de música. Falavam de padrões de penas, curvatura de bicos, talvez um raro momento a dois de pássaros desprevenidos. O importante para meu pai era a vida natural, sem sexo, instintiva e automática como cabe apenas aos animais. Ele contava as histórias a respeito de sua paixão sempre que tinha chance, histórias sem sorrisos nem suor, que emprestavam de uma maneira incompreensível aquele brilho ao seu olhar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E agora eu, herege, ateu e maldito, atribuo a estas lentes outros objetivos, muito mais cheios de carne, de suaves penugens úmidas e olhos embaçados, não brilhantes como os de seus pássaros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Senti sua falta, minha ave. A gaiola emoldurada por vidros não fazia sentido sem você.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-9049837950905952557?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/9049837950905952557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=9049837950905952557&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/9049837950905952557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/9049837950905952557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2011/03/na-gaiolaexercicio-de-observacao-6.html' title='Na gaiola / Exercício de observação #6'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-v6VFKry4GZE/TW3gZmZUx3I/AAAAAAAAAIg/wSSyj79eA3g/s72-c/tumblr_l6syilQ2FI1qay8jfo1_1280.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-9106562767075889463</id><published>2010-11-30T01:40:00.007-02:00</published><updated>2010-11-30T02:27:04.395-02:00</updated><title type='text'>Mais fundo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um mergulho no escuro opaco, faminto. O cigarro aceso é torre de babel, farol mentiroso erigido apenas para desmoronar  línguas de povos mortos, deserto de corpos entre os entulhos do cinzeiro. Do meio da aridez escapa uma tinta negra, incapaz de preencher qualquer coisa, borrão burro patinando conteúdo misturado e confuso. Flashes espaçados, últimas brasas titubeantes, série de significados estilhaçados em cores desbotadas apenas o suficiente para não fazer sentido. Com histórias incompletas pendendo dos lábios, balbucia pueril sons abafados de quem não sabe falar ainda mas já viveu demais.&lt;br /&gt;Os olhos apertados entre os dedos amarelos. As unhas cravam nas pálpebras uma série de runas cuneiformes. Escorrendo entre os espasmos, restos de possibilidades, todas incompletas, cinzas inúteis levadas pela chuva. Entre as palavras quebradas e os pés presos ao chão, noites abafadas e o luto ressentido: uma praia vazia, janelas apagadas, livros mofados.&lt;br /&gt;Desce lentamente, ouvindo a repetição bárbara do não, do impossível imposto antes mesmo de qualquer tentativa. Chora. A cabeça dói e a pele se rompe entre as unhas, enquanto cai indefinidamente num poço de água amarga, sentindo as unhas se desfazendo nas pedras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-9106562767075889463?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/9106562767075889463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=9106562767075889463&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/9106562767075889463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/9106562767075889463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2010/11/mais-fundo.html' title='Mais fundo'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-7654371428071183578</id><published>2010-11-23T23:39:00.004-02:00</published><updated>2010-11-23T23:46:05.821-02:00</updated><title type='text'>Aborto</title><content type='html'>A rotina odiosa dá gosto amargo a qualquer letra: morre a academia afogada em bile peçonhenta, morre a literatura comida por mofo e morre a escrita rangendo os dentes em silêncio, levando consigo qualquer fagulha de superação. O texto não nasce, sai espasmático e já fedendo a putrefação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-7654371428071183578?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/7654371428071183578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=7654371428071183578&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/7654371428071183578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/7654371428071183578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2010/11/aborto.html' title='Aborto'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-5068614269246754467</id><published>2010-10-18T01:31:00.012-02:00</published><updated>2010-10-18T12:11:40.712-02:00</updated><title type='text'>Escorrendo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É noite. O futuro é fechado e ameaça o hoje, estático. A pressão no peito é sutil.  O dia aproxima-se lento, comendo a madrugada, e consome o tempo do agora fingindo ser amanhã. Tudo se confunde num grande baile insone com cheiro e luz de um filme noir qualquer. Entre a névoa, barulhos esparsos no bar. Encaro o copo de vodca com gelo. Ele me olha de volta, refratado em suas gotas, pupilas transparentes de algum monstro lovecraftiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero estar aqui, e na garganta que queima alucino outros fluidos. Volta e meia o bartender me olha também, e lá pela quarta ou quinta vez deixo de lado a hipnose das gotas para dar alguma chance àqueles belos olhos. Ele sorri rápido, gatuno, seguro em sua sobriedade. Seca um copo em movimentos sensuais com os dedos longos, alucinando talvez outras texturas. Sorrio de volta, encarando mais que olhos entre os pequenos goles. Ah, o apoio estratégico dos cotovelos num lugar mais alto: aumenta os peitos enquanto o suor frio escorre na nuca. Nunca falha, e é quando percebo a vontade de abalar a segurança quase inata do que é belo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se aproxima, gingando sem perceber. Largara o copo ali, abandonado com suas próprias gotas. Deixei de ver o rapaz durante alguns instantes, focando a atenção no  embate silencioso dos dois copos. O cheiro dele quebrou o transe. Gotas de perfume, talvez. Adorável.   Então,  a carícia na barba mal-feita. Com um sorriso um pouco largo demais, suficiente apenas para inculcar nele a deliciosa dúvida, caminho trôpega para o orvalho da manhã.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trilha sonora:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object style="background-image: url(&amp;quot;http://i4.ytimg.com/vi/W5PCzpSFjPo/hqdefault.jpg&amp;quot;);" height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/W5PCzpSFjPo?fs=1&amp;amp;hl=en_US"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/W5PCzpSFjPo?fs=1&amp;amp;hl=en_US" allowscriptaccess="never" allowfullscreen="true" wmode="transparent" type="application/x-shockwave-flash" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-5068614269246754467?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/5068614269246754467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=5068614269246754467&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/5068614269246754467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/5068614269246754467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2010/10/escorrendo.html' title='Escorrendo'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-707720265068195466</id><published>2010-09-23T00:59:00.020-03:00</published><updated>2010-09-23T16:50:13.707-03:00</updated><title type='text'>Exercício de observação #5</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Às festas  da Psicologia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma festa, mais cerveja, aquela sensação pegajosa (muco doce bem no fundo da garganta), pregando tudo na laringe, confundindo as pregas vocais e  embaçando convenientemente  a vontade proibida de falar, calando assim o desejo irrefreado por gemidos, gritos, mordidas.&lt;br /&gt;Engole novamente, enquanto olha de relance para as costas dele, soberbas, enfrentando toda a hipocrisia do mundo bem na ponta dos ombros retos.&lt;br /&gt;Embalada pelo inconfundível escândalo etílico de um monte de gente junta, se deixa levar pela contemplação ávida em cima de uma pessoa só. Queria não estar tão consciente disso tudo, dos olhares rápidos, sedentos por algum tipo de contato mas incapazes de se manter fixos por mais de alguns minutos em outro olhar. Mas está. Por isso talvez encarasse justo as costas, evitando o que também não conseguia suportar. O outro encaixava-se assim perfeitamente na situação: sem olhos, sem sorriso, só as costas infinitas. Talvez algum pescoço, um cabelo bagunçado roçando na nuca, nada mais.&lt;br /&gt;Na postura corporal do menino-homem esculpia muitas vontades proibidas. Os braços, então, sobem automáticos: a lata à boca, as unhas à boca, o cigarro à boca, numa compulsão oral inconfundível, enquanto confunde, entretanto, sua existência com a  desse outro tão fresco e cheio de possibilidades. Enquanto morde a boca de sua lata imaginando outra, a madrugada avança, solta, irreverente, permeada de risadas e flashes. Mas as costas se mantém impassíveis. Por que ele não se move como todo o resto, inferno? O que prega seus pés ao chão, sustentando a lombar enquanto no cérebro todo aquele álcool grita por algum tipo de movimentação? Também estava fixa, esforçando-se ao máximo para esquecer o próprio corpo, a odiosa presença dela pra ela mesma, mergulhando no doce-amargo das fantasias com aquelas costas. Por trás da lata, da moldura dos óculos, por trás das defesas em rímel e lápis de olho, anseia por aquela representação tola do que na verdade é etéreo e infértil. Espera numa fé infantil a exumação momentânea de seus fantasmas, imaginando na ponta dos dedos frios a deliciosa pele libertadora por baixo da blusa verde dele.&lt;br /&gt;Algumas pessoas passam por ela, choques rápidos e  o movimento repetitivo de desvio, teimoso, duro, fazendo questão de se manter na mesma faixa maldita de chão que sustenta aquelas costas largas.&lt;br /&gt;Não sabe quanto tempo irá aguentar essa dança congelada, quando a cerveja falará mais alto e a moverá, passo a passo, em direção àquela parte específica do chão.  E num olhar dirá tudo, apesar das palavras que possam se intrometer. Olhará por alguns segundos, aspirando forte o possível cheiro de testosterona, lamberá o resto de cerveja dos lábios, e numa calma absurda estampará sua angústia bem no ponto central entre um omoplata e outro. Pedirá desculpa em seguida, voltando pouco depois pra casa com um sorriso masoquista pleno de impossibilidade e segurança. Deixará na blusa verde o queimado do cigarro, a marca da cerveja derramada e uma ligeira lembrança do toque que preparou só pra ele durante todo esse tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Help me I broke apart my insides, help me I’ve got no soul to sell&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Help me the only thing that works for me, help me get away from myself&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; I want to fuck you like an animal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; I want to feel you from the inside&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; I want to fuck you like an animal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; My whole existence is flawed&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; You get me closer to god&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;You can have my isolation, you can have the hate that it brings&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; You can have my absence of faith, you can have my everything&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Help me tear down my reason, help me its' your sex I can smell&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Help me you make me perfect, help me become somebody else&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; I want to fuck you like an animal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; I want to feel you from the inside&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; I want to fuck you like an animal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; My whole existence is flawed&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; You get me closer to god&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Closer - Nine Inch Nails&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-707720265068195466?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/707720265068195466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=707720265068195466&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/707720265068195466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/707720265068195466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2010/09/exercicio-de-observacao-5.html' title='Exercício de observação #5'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-579996561910059854</id><published>2010-07-26T01:19:00.007-03:00</published><updated>2010-07-27T16:55:18.658-03:00</updated><title type='text'>Hiato</title><content type='html'>Não escrevia, desenhava ou ouvia música. Há algum tempo não suspirava, e as gargalhadas tinham dentes demais. Cãibra no sorriso, pulmões cheios de concreto, argila correndo nas artérias; Na cidade branca e asséptica só sentia e sentia, afogando-se no turbilhão de mágoa e nostalgia de si mesma, enquanto no carro encostava a mão no vidro frio. Contava os postes e torcia para a súbita guinada do volante. A cidade vazia quase gritava por alguma explosão, talvez com rastros de sangue no asfalto: sumiriam rápido, engolidos pelo ar seco por qualquer indício humano em seus horizontes infinitos e estéreis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-579996561910059854?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/579996561910059854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=579996561910059854&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/579996561910059854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/579996561910059854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2010/07/hiato.html' title='Hiato'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-3986825329637956367</id><published>2010-05-24T03:12:00.012-03:00</published><updated>2010-05-24T03:49:55.222-03:00</updated><title type='text'>Na Balada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eram onze e cinquenta e três da noite quando entrou no bar. O lugar já  envolto em vapores: respiração, álcool, cigarros. Chegava o momento da  noite no qual as pessoas pareciam começar a despontar de seus casulos de  solidão. O álcool começava a fazer efeito, e os grupos fechados de  amigos apresentavam uma sombra de abertura para os outros grupos  solitários. E ela entrando ali, com sua sobriedade, seus cabelos ainda  cheirando a condicionador. Entrou destemida, soberba, como se procurasse  alguém. Escondia no rímel e delineador o olhar assustado de quem não tem  com quem contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que aquele bar? Jukebox, pista de dança, luz  negra, sofás vermelhos, pessoas com calças apertadas e poucos sorrisos.  Seria por isso? Seria apenas essa materialidade que deu o sentido à  madrugada de quinta-feira? No fundo sabia que não. Do centro de sua  garganta tentavam subir as cruas verdades sobre expectativas e  idealizações. Comprou uma cerveja para botar as verdades em seu lugar (ao lado da gastrite eterna), percebendo assim  os olhares  desconfiados se afastarem dela, feito cães. Claro, eles em uma rápida e  eficaz manobra lógica pensaram todos juntos como num coral: 'ela está a  espera de alguém'. Não deixava de ser verdade, em algum aspecto. Ela  esperava, acariciando o pescoço long neck, algum daqueles estranhos  sair por um instante de toda a encenação noturna possibilitando assim  algum tipo de troca ali no balcão do bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhava a garrafa cerveja havia quinze minutos. Em algum lugar da festa, várias vozes cantavam desafinadamente uma música qualquer do AC/DC. E a cerveja ali, suando, parindo todo aquele tédio em gotas transparentes. Nunca se deu bem em festas, naquelas cheias de gente desconhecida desinteressante e desinteressada em conhecer qualquer um que não responda às suas expectativas nos primeiros 10 segundos de contato...Mas que merda, a quem queria enganar? Esperava também, no balcão grudento esperava, na garrafa úmida e no ar carregado esperava, esperava em alguém o ar seco e deserto, talvez amargo e cativante, esperava com a mesma intensidade daquela gente toda, acompanhando com os saltos o ritmo da música, numa mímica mal feita dos gestos ensaiados daqueles grupos seriados sorridentes e sociáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já não havia mais pedaços de unha comestíveis, e os cigarros já haviam salpicado os dedos, não mais dando conta de sua nobre função de ratificar a solidão; perdiam o sentido num lugar planejado para, teoricamente, interagirmos. E a maldita música agora com solos e gestos frenéticos dos grupos lutando para esquecer uns aos outros, a mesma música repetida pela terceira vez.  Quem cuidava daquela porra de jukebox? Todos cantavam desesperados, espantando com as mãos o silêncio que os faria refletir sobre o nada em que flutuavam. E ela ali, contando as gotas sumindo no guardanapo, ponderando como iria embora e quanto tempo mais duraria aquilo tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Oi tudo bom?&lt;br /&gt;-Oi.&lt;br /&gt;-Massa a música né?&lt;br /&gt;-É, talvez.&lt;br /&gt;-Você tá sozinha?&lt;br /&gt;-Não, tô esperando alguém.&lt;br /&gt;-Ah tá. Posso te pagar uma cerveja?&lt;br /&gt;-A minha tá na metade ainda.&lt;br /&gt;-Ah.&lt;br /&gt;-Me dá um cigarro?&lt;br /&gt;-Pô, nem fumo...&lt;br /&gt;-Ah.&lt;br /&gt;-Acho que vou ali botar alguma coisa na Jukebox.&lt;br /&gt;-Vai lá.&lt;br /&gt;-Tchau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele voltou pro grupo, gingando, cheirando a chiclete de frutas. Pegou uma moeda e botou pra tocar AC/DC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-3986825329637956367?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/3986825329637956367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=3986825329637956367&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/3986825329637956367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/3986825329637956367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2010/05/na-balada.html' title='Na Balada'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-3188502909457976126</id><published>2010-04-19T01:34:00.005-03:00</published><updated>2010-04-19T02:29:19.603-03:00</updated><title type='text'>...Oi?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você não vai escrever nada. Você não vai conseguir traduzir em palavras o abraço, os barulhos, o cheiro confuso das lembranças que achou terem morrido. Tentar&lt;span class="padrao"&gt;á&lt;/span&gt; escrever qualquer coisa que dissipe um pouco essa fome, o fôlego infinito por um momento que deveria ter eco em muitos mais, mas que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;precisa&lt;/span&gt; bastar-se. Você não vai conseguir, mas terá que escrever, na mesma madrugada em que tudo aconteceu, com a garganta ardida pela falta de cigarros, o peito vazio e feliz pelo extrair gradual das m&lt;span class="padrao"&gt;á&lt;/span&gt;goas. Elas sairão, deixando aparecer e encherem-se de &lt;span class="padrao"&gt;á&lt;/span&gt;gua salgada as  pegadas fundas de saudade reprimida, improváveis tulipas vermelhas bem no meio do cerrado. E as possibilidades, em dúvida, perguntarão tímidas entre si o que aconteceu hoje, o que as reencarnou com um gesto. Elas não terão resposta, e você escrever&lt;span class="padrao"&gt;á&lt;/span&gt; para tentar prever inutilmente em que elas desdobrarão, escrever&lt;span class="padrao"&gt;á&lt;/span&gt; para tentar traçar caminhos virtuais , racionalizando o que não se pode racionalizar, e escrever&lt;span class="padrao"&gt;á&lt;/span&gt;, sobretudo, para deslizar por si e conseguir visualizar um pouco de tudo o que aconteceu, olhando de esguelha para um projeto que começa a renascer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-3188502909457976126?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/3188502909457976126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=3188502909457976126&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/3188502909457976126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/3188502909457976126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2010/04/oi.html' title='...Oi?'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-205051861433385717</id><published>2010-04-04T15:42:00.005-03:00</published><updated>2010-04-04T16:15:10.181-03:00</updated><title type='text'>blá.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Novamente a fuga no meio delas, o velho e gasto tema da escrita, a música abençoando metáforas ruins. Acendeu outro cigarro, esmagando sem perceber o filtro  entre os dentes; rangia os dentes há muito tempo, mas nunca como nas últimas semanas. O maxilar doía, e abrir a boca era um esforço enorme que não valia a pena. Deixara há algum tempo as palavras de lado, agonizantes e tristes como os sonhos no maldito verão que a sufocava todas as noites. As suas palavras, os pequenos fôlegos, sorrisos internos de dentes tortos, os pedaços de si que conseguia achar um pouco menos horrorosos que todo o resto. As abandonou assim, pretensiosa, querendo encarar a "realidade", no máximo auxiliada por bons autores canônicos. Não precisava de tudo aquilo, da gestação maldita, do isolamento e dos infinitos cigarros. Não precisava escrever, ofício inútil e sem perspectiva, não precisava fingir que sabia sua língua nativa, tudo o que precisava era ler, espreguiçar-se apática sobre um livro qualquer, encarnar escritores já reconhecidos, comer compulsivamente as palavras de outros sem nunca preocupar-se com as suas próprias. Não precisava abrir a boca e sentir a dor do maxilar ressonando com as outras dores, não precisava de palavras para além do utilitarismo preguiçoso do dia a dia. Como se ele bastasse, como se  café maquiagem lenços detergente lençóis limpos pão de forma cigarros condicionador pasta de dente vestidos computador lugares-comuns elevador passagem de ônibus guarda chuva bibelôs aspirador de pó cumprimentos cortinas secador de cabelo  pudessem a liberar da maldita gana, do suspiro interminável no peito , do desejo  por elas, deusas e rainhas, construtoras de mundos mais coloridos, pulsantes. Queria voltar para as palavras para não ter que lidar com o mormaço, o nada corrosivo e áspero de um mundo sem poesia, sem arrebatamentos, sem sexo, um mundo acadêmico com cheiro de marfim e lustra móveis.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-205051861433385717?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/205051861433385717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=205051861433385717&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/205051861433385717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/205051861433385717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2010/04/bla.html' title='blá.'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-8367791975071889283</id><published>2009-12-31T15:24:00.000-02:00</published><updated>2010-01-01T02:57:38.339-02:00</updated><title type='text'>Em suspenso</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/SzvxR0ePnpI/AAAAAAAAAEE/bUkgDjTB-lw/s1600-h/iydj-untitled.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/SzvxR0ePnpI/AAAAAAAAAEE/bUkgDjTB-lw/s320/iydj-untitled.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421191864916090514" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entre os ganchos na pele podia sentir escorrendo macio o sangue pelas costas. Enquanto estava ali pendurada, pensava  no que a levara até ali. No que juntou-se lentamente, crescendo, afiando-se aos poucos, tornando o metal brilhante cada vez mais atraente, o seu toque frio numa carícia, a dor pulsante em cócega. Se perguntava quanto tempo duraria, o quanto poderia concentrar o peso num gancho só, a apenas um átimo de romper tecidos, espalhando sangue e pedacinhos de gordura pra todo lado. Lembrou de suas primeiras tentativas, quando ainda não  sabia que a dor do rompimento era pouco maior que a da perfuração em si, o que resultou numa grande marca no pulso. Sentia as ondas de calor, principalmente nas escápulas, com os ganchos perto dos ossos. Puxava a corda silenciosamente, a tensão na pele aumentando aos poucos. O momento crucial e tão assustador toda vez : a possibilidade de voar ou de cair sangrando num universo de dor surda.  Às muitas sensações se misturavam pensamentos perdidos que ela só conseguia alcançar a pelo menos quinze centímetros do chão.  O cabelo roçava  levemente na nuca, o suor frio escorrendo em seus ouvidos como lágrimas ao contrário. Era hora de começar a se mover. As pontas dos dedos primeiro, tímidas, seguidas dos pulsos girando devagar, restituindo a cor às mãos brancas salpicadas de vermelho.  Não queria encontrar deus, ou o vazio, não queria provar a ela mesma que era possível, não queria os jorros de endorfina, só queria por alguns momentos deixar aquele piso odioso e comum.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-8367791975071889283?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/8367791975071889283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=8367791975071889283&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/8367791975071889283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/8367791975071889283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2009/04/em-suspenso.html' title='Em suspenso'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/SzvxR0ePnpI/AAAAAAAAAEE/bUkgDjTB-lw/s72-c/iydj-untitled.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-8474341198390988594</id><published>2009-12-16T01:06:00.009-02:00</published><updated>2011-03-03T18:44:45.860-03:00</updated><title type='text'>Exercício de Observação #4</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Para Tiago.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encaro seu perfil por cima do beliche. Você morde o lábio inferior enquanto devora o livro, as últimas páginas convulsivas clamando o fim da história. Os olhos continuam metódicos, o pulso segurando o exemplar firme,  a respiração  presa nas últimas palavras. Eu já li esse livro, mas há tanto tempo que apenas a trama principal e algumas cenas ainda permanecem, formando a conhecida fotografia velha que é tanto do que já li. Não consegui identificar o desfecho no seu cenho ligeiramente franzido, na mão segurando a testa, quase um aceno involuntário a todos os personagens. Falhei e pergunto-me quanto daquelas palavras ainda me pertencem. Você não se satisfez, e relê novamente o último capítulo. Prolongando o gozo, talvez? Ou adiando o luto pelos personagens, pelo lento esquecimento das letras?&lt;br /&gt;Agora a mão livre vai à boca às costas, aos cabelos, aceleram-se as pernas inquietas. O aceno vira orgasmo contido, vontade de explodir feliz com as novas informações e os dedos roídos. Seus olhos e boca encerram  toda a sensualidade do mundo, no derradeiro suspiro de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um Jogador&lt;/span&gt;. Eu não sou nada além da observadora presença fantasmagórica, e percebo na sua postura corporal o envolvimento que nunca conseguirei de você. Eu corpo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;versus&lt;/span&gt; livro, ideia. Eu de calcinha e camiseta velha contra toda a Rússia gelada de Dostoiévski. Era um caso pra despeito, ciúme infantil talvez. Sorrio lentamente enquanto digito, a minha deficiência frente às páginas duplamente cômica por remeter a outros livros. Terei sempre este mediador  físico a me forçar a existir limitada, e seus olhos em mim jamais mergulharão tanto quanto nestas linhas negras. Quais serão as instâncias, entretanto, que um corpo tatua em outro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-8474341198390988594?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/8474341198390988594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=8474341198390988594&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/8474341198390988594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/8474341198390988594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2009/12/exercicio-de-observacao-4.html' title='Exercício de Observação #4'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-2676557279619081115</id><published>2009-11-13T19:28:00.005-02:00</published><updated>2009-11-13T19:59:18.183-02:00</updated><title type='text'>Yersinia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/Sv3QLB4K5sI/AAAAAAAAADc/3lczfs0_PGY/s1600-h/1033.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 208px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/Sv3QLB4K5sI/AAAAAAAAADc/3lczfs0_PGY/s320/1033.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5403704015815632578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Baby&lt;br /&gt;Quero ser sua peste&lt;br /&gt;Bubônica&lt;br /&gt;Escalar faminta seus nodos&lt;br /&gt;Linfáticos&lt;br /&gt;Mapear de negro&lt;br /&gt;Sua pele pálida&lt;br /&gt;Entre seus cabelos&lt;br /&gt;Minhas pulgas rápidas&lt;br /&gt;Defumar seus lábios&lt;br /&gt;Em fumaça&lt;br /&gt;Láctea&lt;br /&gt;Empilhar os&lt;br /&gt;Mortos&lt;br /&gt;Como nossos&lt;br /&gt;Filhos&lt;br /&gt;Acarinhar os&lt;br /&gt;Ratos&lt;br /&gt;Feito bons&lt;br /&gt;Meninos&lt;br /&gt;E a máscara branca&lt;br /&gt;Ave de&lt;br /&gt;Rapina&lt;br /&gt;O fetiche lícito&lt;br /&gt;Sexual, explícito&lt;br /&gt;Mergulhando em&lt;br /&gt;Gozo e pus no seu&lt;br /&gt;Cortiço&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-2676557279619081115?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/2676557279619081115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=2676557279619081115&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/2676557279619081115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/2676557279619081115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2009/11/yersinia.html' title='Yersinia'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/Sv3QLB4K5sI/AAAAAAAAADc/3lczfs0_PGY/s72-c/1033.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-4765732056779190786</id><published>2009-11-02T20:34:00.000-02:00</published><updated>2009-11-02T20:34:10.736-02:00</updated><title type='text'>O Primeiro Beijo</title><content type='html'>Não era a primeira vez que ia ao bordel de dona Amélia. Motivos não faltavam para as eventuais visitas, desde as bebedeiras comemorativas à curiosidade de colegas que nunca tinham ido ali. Mas dessa vez era diferente. Dessa vez as portas com cortinas vemelhas surgiram quase que de repente, levadas por passos trôpegos. Não era a bebida que o tonteava nem os cigarros que avermelhavam os olhos. Essa era a primeira vez em que a "casa de meninas" (como a cafetina gostava de chamar) se mostrava um verdadeiro refúgio do resto do mundo. Do mundo e daquela vagabunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi querido, quanto tempo!&lt;br /&gt;- Amélia, me traga a puta mais feia que tem aí.&lt;br /&gt;- Mas meu bem, você é da casa, se está sem grana fazemos fiado dessa vez. Não queres a Cíntia, a morena de sempre?&lt;br /&gt;- Não discute comigo porra, eu quero a mais barata de todas. Pensa que não sei que vocês têm putas de dez reais? Essa espelunca não engana ninguém. E eu quero a suíte.&lt;br /&gt;- Ok doçura, ela já sobe, respondeu a velha com um sorriso malicioso nos lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Amélia conhecia aquele tom de voz; lembrou da pinga rosa que mantinha atrás do balcão do bar. A garrafa sem rótulo há mais de quatro anos, situada aos pés de uma estátua de bode. Só enxergava a pinga perigosa quem estava há muito debruçado entre poças de cerveja velha e baba. Enxergava e pedia com aquela mesma voz.&lt;br /&gt;Subiu as escadas, apressado, mastigando o cigarro apagado e esfregando as unhas no corrimão de madeira. Vagabunda. Ela ia ver o que era bom. Ia sentir na pele ser trocada por quem não merece. Ele ia foder uma boceta feia e barata pensando nela. Iria possuir um corpo que se assemelhasse à sua alma. Sim, e voltaria pra casa sem tomar banho, com cheiro de bordel. E decerto comeria aquela bunda perfeita raivosamente depois de ter explorado os buracos mais sebosos da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se passaram dez minutos e entrou a puta. Gorda, claro. Com um chiclete nauseabundo perambulando pelo que restava de dentes. Espremia-se num vestidinho listrado, enquanto as pernas grossas e venosas equilibravam-se perigosamente em cima das sandálias. Cabelo vermelho sujo com raízes negras a mostra, bigode, batom borrado decerto por um boquete de três reais ocorrido há muito pouco tempo. E as unhas roídas nos cantos com seu sangue coagulado, e a petulante assimetria de seus peitos. Sorriu. Sorriram. O cheiro, uma mistura de água de colônia com roupas secas à sombra. Inalou raivosamente. Ele dava voltas ao seu redor, felino, com uma curiosidade crescente, completamente nova. Nunca havia tido esse grau de intimidade com nenhuma mulher tão feia. Na verdade, com mulher alguma. Suas transas sempre foram mediadas por camadas grossas de cosméticos, drogas e receio. Esses cheiros e texturas explícitos formavam uma miríade desconhecida, desdobrando-se diante de seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A puta também nunca tinha sido observada com tanto afinco. Estranhou alguém chamá-la a este quarto, ela que desde menina sempre trabalhou no beco ou no máximo na sala das vassouras do bordel. Agora os tapetes eram limpos, quase não havia barulho, podia olhar pro jovem a sua frente sem se preocupar com eventuais policiais. Estava confusa: ele tinha dinheiro, dava pra ver pelas unhas e dentes, pelo cabelo liso comprido e bem tratado, pela altura de criança que comeu bem na infância. Até as sardas mostravam suas origens nobres. Ficou com medo de ser o caso que suas colegas comentavam, do tarado que espancava mulheres. Justo ela, que nunca temera essas violências, afinal o beco possuía barulho e eventuais rondas policiais por ali. Ela que, como todas as putas realmente feias sabia que toda perversão possui algum padrão de beleza repetido, e que na realidade o que varia são apenas ambientes e roupas. Mas as frases sussurradas não paravam de passar em sua cabeça: "cinco costelas quebradas" , "perdeu os dentes da frente", "subornou a velha pra ela não dar queixa". Enquanto isso ele continuava ali rondando, se aproximando dela, como que apenas escolhendo o ponto mais macio pra bater. Ela encolheu-se lentamente, protegendo por instinto os órgãos vitais, e começou a tremer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estava a apenas alguns centímetros, analisando os restos de esmalte preto misturado ao sangue do canto das unhas, quando reparou em suas mãos embranquecendo, com ligeiros tremores no dedo mindinho espalhando-se para os outros. Com medo da puta estar doente, olhou com seus olhos verdes os vesgos olhos dela. E por trás do rímel de dois reais, por trás dos cantos remelentos de lápis de olho derretido, lá no fundo deles gritava aquela palavra. Temia tanto que fosse real. Sempre lhe perseguiu o pavor de que as sílabas pronunciadas dislexicamente pelas pupilas desencontradas se pronunciassem dessa forma, olhos nos olhos. Fugira sempre dela, percebia agora, da primeira letra redonda, meio fanha e açucarada até a última, imponente e forte. E logo nessa circunstância, logo com esta puta tão feia, logo agora escutou e digeriu, desvirginado letra por letra: M-U-L-H-E-R. Encararam-se por muito tempo. Ela com terror -"cinco costelas"-, ele com a curiosidade transformada em fascínio. Ela, representante extrema de toda uma horda até então desconhecida. Ela, matriarca caricata de uma geração feminina que sempre esteve silenciosamente ali, com pêlos, menstruação, com rugas e gorduras. Tão reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já ia começar a gritar quando ele avançou em sua boca, sentindo seu hálito acre e o roçar do bigode grosso em seu rosto. Percebeu aquele grande corpo amolecer em seus braços, entregue ao primeiro beijo que recebia em anos. Jogou-a na cama, espalhando-se sobre ela, sentindo o abrigo de seus braços enormes envolvendo seu corpo delgado. E entre litros de suor sincero gozaram juntos três vezes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-4765732056779190786?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/4765732056779190786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=4765732056779190786&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/4765732056779190786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/4765732056779190786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2009/08/o-primeiro-beijo.html' title='O Primeiro Beijo'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-972509435091571531</id><published>2009-10-02T00:53:00.021-03:00</published><updated>2009-10-02T01:50:41.280-03:00</updated><title type='text'>O soco</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Eu não aguento mais", repetia baixinho, os cabelos desenhando anéis nos dedos cravados no couro cabeludo. Aquela apatia estúpida, o consumir em vão de si. O fogo tornado brasa por falta de oxigênio. Era difícil suportar o peso dos silêncios contínuos perante todo o escarcéu vomitado em cima dele e engolido de volta sucessivamente. A raiva volteava no estômago, correndo para as pernas irrequietas, para a ponta dos dedos se afundando entre os fios ansiosos por expurgar uma a uma as idéias que apenas se encrustravam mais fundo a cada grito. Quis arrancar os caracóis todos, tirando um escalpo legitimador de mais um momento destinado a afundar no esquecimento morno até a próxima briga. Iria estampar nas paredes do quarto pequeno aquela angústia, seja com o cuspe dos berros ou com o sangue imaginário pingando da cabeça em carne viva. Mas ele mantinha o silêncio asséptico, branco, carregado das incertezas e fantasmas pálidos mais mortos que fantasmas conseguem ser. Os dela não eram assim, vinham num rompante, carregados de emoções e ódios eternos, pulsantes e horríveis. Culminavam sempre em sonhos com gritos e metáforas indigestas. As últimas eram uma mistura odiosa de macarrão velho, carne queimada e detergente amarelo. Mas os dele  nem rosto tinham. Como desejava  desenterrar daqueles lábios um grito visceral apenas. Um grito libertador. Silêncio. As unhas cravadas na cabeça afundando mais e silêncio. Pernas e unhas e mãos e fios e ódio. O único som compartilhado pelos dois saiu  do punho explorando cartilagens e ossos normalmente desconhecidos. Até hoje ele tem o nariz levemente torto pra direita.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-972509435091571531?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/972509435091571531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=972509435091571531&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/972509435091571531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/972509435091571531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2009/10/o-soco.html' title='O soco'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-7161507139405584063</id><published>2009-07-17T23:28:00.008-03:00</published><updated>2009-07-19T00:13:05.392-03:00</updated><title type='text'>Em Brasília, dezoito horas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meus dias aqui são permeados de um conforto colorido, repleto de neon,vitrines,cheiro de loja. Aqui a reflexão é pouca, e o andar apressado no ar seco arde meus olhos. Não há clima universitário, nem cheiro de peixe morto. Não há pessoas andando nas ruas onde moro, fora dois horários: pela manhã e ao final da tarde, quando as empregadas e caseiros  entram e saem de suas jornadas de trabalho. Esta cidade vazia transpira apenas em focos superlotados de gente gasta.&lt;br /&gt;Eu, teimosa, espremo entre braços fortes  e olhos cansados minha branca gordura burguesa, destoante de todos aqueles calos. Aqui não pareço com ninguém no ônibus. Mas há a simpatia na conversa, seguida do silêncio constrangido quando sou a única a puxar a corda para descer no ponto em frente a uma mansão. O ponto que não é usado neste horário, que empoeira-se pois quem lota ônibus em Brasília não mora onde moro. Aqui na bolha tudo é motorizado individualmente, entre carros estúpidos e indiferentes. Carros que não percebem nunca como a poeira gruda entre os dedos quando se caminha, como é possível suar em pleno meio de Julho, no ar úmido pelas respirações. Nesta cidade ingrata a vida corre clandestina.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-7161507139405584063?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/7161507139405584063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=7161507139405584063&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/7161507139405584063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/7161507139405584063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2009/07/em-brasilia-18h40min.html' title='Em Brasília, dezoito horas'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-8443818152687226564</id><published>2009-06-26T10:56:00.006-03:00</published><updated>2009-06-26T11:47:56.917-03:00</updated><title type='text'>Exercício de Observação #3</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;            A mais bonita que já vi. Séria,macia, redonda e tão efêmera nesse mundo injusto. Ela, que ressignificou o ônibus,  o cigarro do pedestre no frio, as maledicências da mãe que batia em sua criança pela calçada, o roçar leve dos cabelos em outra qualquer: não eram os seus, trançados apressadamente no frio da manhã; Os seus recuavam frente a ela, tão tímidos quanto meus olhos espiando pelo reflexo da janela. O mundo ao meu redor moldou-se  ao redor desse novo referencial, despertando em banalidades tentações. Quis lamber as pichações dos muros sujos, beber água do mar impróprio para banho,  arrancar com os dentes pedaços gordos das poltronas enquanto ria de volta para os paralelepípedos, sorrisos eternos das ruas. Roí loucamente minhas unhas, olhando seus dedos finos, sem coragem para encará-la por mais de dois segundos.&lt;br /&gt;            Mais uma parada eu voaria em você, devorando essas carnes num frenesi passional. Mais uma parada comporia a guinada brusca dos fatos, e eu teria acontecimentos menos desnecessários para adicionar aqui além do riso do guarda na escola municipal dobrando tranquilo a bandeira flácida do Brasil, além dos "eu te amos" escritos em caligrafias distintas com setas vetorialmente opostas à nossa frente. Mais duas paradas e esse texto teria menos frustração libidinosa do que acho plausível expor. Apenas mais algum tempo e sua licença sorridente ao me dar passagem seria um olhar de terror ao sentir minha saliva. Alguns momentos a mais e seus olhos cansados poderiam chegar à altura de sua boca, a mais bonita que já vi.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-8443818152687226564?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/8443818152687226564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=8443818152687226564&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/8443818152687226564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/8443818152687226564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2009/06/exercicio-de-observacao-3.html' title='Exercício de Observação #3'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-8589697187374368900</id><published>2009-06-19T09:45:00.000-03:00</published><updated>2009-06-19T10:31:03.967-03:00</updated><title type='text'>Cinzas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi uma questão de meses. Em meses se repetiu, incessantemente, a frenética queima de fogos toda vez que estiveram juntos. Não havia pudores, papas na língua: em pouco tempo gastaram o que muitos levam vidas pra conseguir. E consumiram um ao outro vorazmente apesar do mundo. Eram amigos, desde aquela primeira troca galopante de palavras. Eram amigos ávidos, nervosos por revelações completas, por desnudar idéias e conceitos há muito escondidos. Ela raramente o fazia, mostrar-se assim tão prontamente. Ele prezava a experiência por si só, ignorando as consequências daquilo tudo. Foram ousados e pretensiosos demais, querendo com dois pares de braços abraçar toda existência. Mas tudo foi vivo por este período convulsivo, e brilhou barato por trás de camadas de pó e fumaça de cigarro ruim. E os dois desfrutaram daquela decadência nua como se não houvesse amanhã. Como se o lixo nas ruas fosse alguma coisa além de lixo. E durante algum tempo, a realidade não fazia cobranças. Por algum tempo foi-lhes permitido viver assim, sinceros. Os seus fantasmas e medos continuavam a existir, mas com eles se moldava tranquilamente estátuas feitas apenas para desmoronar. A insegurança era motivo de riso e indagações, uma desculpa pra ir mais fundo, pra machucar mais e ver o sangue poético escorrer. Equilibraram-se, bêbados da noite, em fios de telefone, nas bordas de camas alheias. E riram alto e desafiadores disso tudo, de todas as necessidades estúpidas de toda aquela gente amorfa. Gargalharam amargos, colocando-se de fora daquilo tudo, do oitudobemtudobemevocê, dos apertos de mão, dos abraços vazios. Riram e ergueram suas taças, brindando à caminhada cega das massas até o precipício. Eles caíram juntos, de olhos bem abertos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"I taste your sorrow and you taste my pain&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Drawn to each other for every stain&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Licking the layers of soot from your skin&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Your tears work my crust to let yourself in&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Touching you harder&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Touching you harder now&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; As we walk through the ashes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; I whisper your name&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; A taste of pain to cling to&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; As we walk through the ashes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; You whisper my name&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Who's the one with the sickest mind...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; now?"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pain of Salvation - Ashes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-8589697187374368900?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/8589697187374368900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=8589697187374368900&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/8589697187374368900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/8589697187374368900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2009/06/cinzas.html' title='Cinzas'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-7354416572197784969</id><published>2009-05-11T21:27:00.000-03:00</published><updated>2009-05-11T22:40:47.885-03:00</updated><title type='text'>Nada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Aos poucos você  se afasta de tudo isso, e começa a ver um novo tipo de mundo possível abortado todos os dias. Um mundo cheio de cinzas. E tudo parece incompleto, renegado pelo silêncio de quem não devia, de quem não podia calar. Suas relações pulsam vazias refletindo fugas e fantasmas frágeis, e suas unhas machucam as palmas das próprias mãos com uma frequência que não deveria existir.&lt;br /&gt;    O sofrimento do mundo é refletido em cada objeto, profissão, pensamento. A miséria  te sufoca todos os dias, não por você vivê-la mas por você permitir a sua existência.&lt;br /&gt;Você se afastou do mundo e  percebe padrões lamentáveis se repetindo todos os dias, todos os dias. Padrões tristes e sós.&lt;br /&gt;    As músicas e as linhas e as cores assopram suas feridas de vez em quando, mostrando timidamente as vezes que respiraram por aqui. Raros e sutis momentos em que o nada deixou de ser nada, quase como um milagre. Mas isso também irá desbotar e sumir: porque suas mãos pequenas e suaves se recusam a juntar-se às outras, sua voz se esconde matando com isso tantas outras línguas. E lá no fundo você ainda acha as justificativas de sempre, enquanto o mundo desfalece em gritos angustiados e lágrimas impotentes. Ao final, você conseguirá ser o nada que sempre disse ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;This face and heel &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Will drag your halo through the mud &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ash of pompei  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Erupting in a statues dust &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Shrouded in veils &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Because these handcuffs  hurt to much&lt;/span&gt; "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The Mars Volta - Cicatriz Esp&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-7354416572197784969?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/7354416572197784969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=7354416572197784969&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/7354416572197784969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/7354416572197784969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2009/05/nada.html' title='Nada'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-7434644575178577583</id><published>2009-05-06T15:06:00.000-03:00</published><updated>2009-05-06T15:56:16.179-03:00</updated><title type='text'>Flutuando</title><content type='html'>Nunca realmente soube o porquê dessas linhas. Elas sempre apareceram  entremeadas em idéias "repentinas", fingindo ser novas diante de todo este nada, do vazio que tento esconder atrás de futilidades e lugares comuns.&lt;br /&gt;Hoje existi novamente, com a mesma hesitação de sempre, como se num suspiro pudesse deixar escapar essa frágil teia que os outros chamam por meu nome; Esse véu incapaz de esconder minha nudez.&lt;br /&gt;Gostaria de ser sólida, maciça, de pisar o chão e fecundar a existência com versos fortes e inspiradores, à guisa dos grandes mestres mortos que assombram minhas manhãs. Mas minhas palavras não têm peso, e flutuam a contragosto num ar denso demais, ar que não enche meus pulmões, ar que afoga ao invés de salvar.&lt;br /&gt;Por vezes reúno timidamente significados, fingindo opacidade na poça transparente que eu chamo de eu. Transparência frágil de plástico vagabundo, de vodca barata, de senso comum e medianidade. Sofrimento em tabletes embalados separadamente. Ignoro sua superficialidade, a repetição incansável mordendo meus calcanhares, a maquiagem mal feita que na verdade expõe rugas e olhos inchados. E regurgito o mesmo tema odiosamente metalinguístico, baço de tanto uso, derretido entre tantas comparações. O que escondo com isso, nos textos, será também nada ou se mostrará como  só mais uma pequena coisa, insignificante e solitária?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/SgHbu69UsJI/AAAAAAAAACw/EW1scUhzCr0/s1600-h/american+beauty+bag.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 249px; height: 217px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/SgHbu69UsJI/AAAAAAAAACw/EW1scUhzCr0/s320/american+beauty+bag.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332785032930308242" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-7434644575178577583?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/7434644575178577583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=7434644575178577583&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/7434644575178577583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/7434644575178577583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2009/05/nunca-realmente-soube-o-porque-dessas.html' title='Flutuando'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/SgHbu69UsJI/AAAAAAAAACw/EW1scUhzCr0/s72-c/american+beauty+bag.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-3009937345991028804</id><published>2009-03-18T09:47:00.000-03:00</published><updated>2009-03-18T09:48:54.442-03:00</updated><title type='text'>Contagem Regressiva</title><content type='html'>Tenho trinta e dois minutos para terminar isto. Trinta e dois minutos resumidos em números pretensiosos, em palavras que tentam alcançar imagens. Não levarei trinta e dois minutos pra escrever seja lá o que for. Não levarei números. Levarei o ritmo seco de uma vassoura esfregando chão público. Levarei  pontadas de dor voluntária  no ouvido esquerdo, a cada fungada ansiosa por sair daqui. Não levarei tempo, esquecerei os segundos que passam debaixo dos panos, os cronogramas que se apertam ansiosos pelo orgasmo do dia marcado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando era menor gostava de olhar os relógios mudando seus números, relógios digitais onde tracinhos se encaixavam formando números. Os minutos poderiam a qualquer momento transformar-se em algo a mais, e cada um deles trazia em si a possibilidade do cinco virar oito, não seis. Quando era menor menos minutos apertavam para baixo meus ombros. Não tenho mais trinta e dois minutos. Acho que nunca tive.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-3009937345991028804?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/3009937345991028804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=3009937345991028804&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/3009937345991028804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/3009937345991028804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2009/03/contagem-regressiva.html' title='Contagem Regressiva'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-6346889038540214113</id><published>2009-01-10T23:05:00.000-02:00</published><updated>2009-01-11T03:12:26.679-02:00</updated><title type='text'>Sem Título</title><content type='html'>Ele nunca foi bom com palavras. Elas sempre fugiram nos momentos mais importantes. Sempre riam dos seus olhos confusos, dizendo olá só quando não interessava. Ele as odiou, desde o dia de sua primeira rasteira, perante os olhos marejados dela, uma ela entre tantas outras, todas com os mesmos olhos. E tudo que insistentemente digitava parecia não diminuir o branco da tela nunca, ou pior, parecia engolido nos pensamentos comuns e insossos das pessoas desinteressantes. Quis tanto desistir delas, as limitar ao vocabulário pobre dos jornais, espremer de sua cabeça qualquer suco, deixando pra trás apenas engrenagens soltas e secas, utilitários nunca utilizados, como o velho processador da cozinha, como o estúpido limpador de pêlos, encostado desde o dia da morte do gato. Ele ansiava pela estática dos domingos mortos, preenchidos por barulhos que não viram onomatopéias, por palavras que não formam idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas elas surgiam, nas madrugadas, nas tardes eternas. Surgiam  no meio de seu trabalho, surgiam enquanto cortava o bife frio do bar da esquina. Sussurravam em seus ouvidos durante o sexo, no exato momento em que fechava os olhos achando que o momento era &lt;span style="font-style: italic;"&gt;só seu&lt;/span&gt;. Surgiam, intrometidas,  espalhando em seu hálito vogais malditas; embaçavam o espelho, criando o&lt;span class="__mozilla-findbar-search" style="padding: 0pt; background-color: yellow; display: inline;font-size:inherit;color:black;"  &gt;&lt;/span&gt; reflexo que poderia ser qualquer coisa. E obrigavam seus dedos a se mexer, no exato momento em que o conforto parecia finalmente ser parte dele. E ele escrevia, sentindo câimbras odiosas, nos dedos e nos pulmões, desacostumados com suspiros. Escrevia selando não libertação ou catarse, escrevia escravo, bilioso e amargo como seu gato costumava ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela esperava. Esperava para ver entre tanto cinza, a cor de sangue da inspiração dele. Esperava, entre um cigarro e outro, o uso desengonçado das metáforas tão belas, das vírgulas ansiosas, ofegantes. Ela, cuja gata obesa ainda vivia. Tinha raiva, é claro. Raiva de ser tão escrava das palavras quanto ele.  Raiva por acreditar, sempre: e esperar, de olhos limpos. E elas chegavam, hora ou outra. Chegavam bonitas e estúpidas, nos momentos mais inconvenientes, claro.  Ávida, as percorria sem qualquer senso de decência, devorando-as. As mastigava rápida, estúpida e brutalmente, engolindo frenética, gulosa, cada uma de suas frases. As palavras já não mais risonhas tentavam escapar a cada piscadela, mas ela as relia, em vômitos mastigados e engolidos novamente. Ela lia, não com alegria ou elegância. Lia com fome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-6346889038540214113?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/6346889038540214113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=6346889038540214113&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/6346889038540214113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/6346889038540214113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2009/01/sem-ttulo-1.html' title='Sem Título'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-31689157862882301</id><published>2008-11-12T14:57:00.000-02:00</published><updated>2008-11-29T23:55:02.401-02:00</updated><title type='text'>Exercício de Observação #2</title><content type='html'>O ônibus entra no túnel de madrugada. As luzes amarelas ferem meus olhos acostumados ao escuro da viagem, e o vejo ali, exposto, envolto numa aura estranhamente uterina. Tudo é dourado, macio, tudo menos os cabelos negros, famintos, sugando em ondas o ponto de  luz branca emitido pelo aparelho caro de mp3.&lt;br /&gt;Nas mãos brancas, dedos nervosos, impacientes. Dedos de unhas roídas. Daqui posso ler o que escuta; movimentos quase imperceptíveis acompanham a música : &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sour Times&lt;/span&gt;, Portishead. As coisas derretem ao redor de suas mãos, na luz leitosa do aparelho, e o sorriso no escuro -dirigido a quem?- também reflete algumas faíscas.&lt;br /&gt;Fim do túnel. A luz branca contrasta com o escuro  novamente, perdendo a característica confortável de antes, refletindo em sua pele de forma dura, fria, o transformando de possibilidade quente em mármore frio, morto.  Nada mais faz sentido agora : nem a ressaca de suspiro em meu peito, nem o balançar nauseante do ônibus, tampouco o balbuciar dos seus lábios rosados ao som de outra música, outro mundo, outra qualquer. Pára de mexer no aparelho e o ponto de luz some. Por um instante somos um só:  eu, ele, poltronas, asfalto. Minhas pupilas novamente se adaptam, silhuetando tudo em azul escuro e cinza. Mais propício, impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Covered by the blind belief,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;That fantasies of sinfull screams,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bear the  facts or soon will die,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;End the vows no need to lie&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Enjoy&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Take a ride, take a shot now,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;cos nobody loves me, it's true,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Not like you  do"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portishead  - Sour Times&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-31689157862882301?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/31689157862882301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=31689157862882301&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/31689157862882301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/31689157862882301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2008/11/silhueta.html' title='Exercício de Observação #2'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-7825100824271783793</id><published>2008-10-20T00:07:00.000-02:00</published><updated>2008-10-20T01:11:21.186-02:00</updated><title type='text'>Exercício de Observação #1</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então saiu caminhando por aí. As vozes ainda ecoavam na parte de trás da cabeça, lá onde ecos indistinguem-se de restos bem reais de vivências. Gotas grossas caíam com força, e chovia de baixo pra cima, já que tudo eram poças quebradas pelos gordos pingos. Ecoavam as palavras, retumbavam os silêncios. Saiu a caminhar assim, plácida. Os nadas entre uma idéia e outra já tinham definido tudo aquilo há muito tempo atrás. Há muito sabia do resultado, há muito construíra aquela caminhada quase serena pelas calçadas sujas, incomodadas pela súbita exposição diante de tanta água, tão calma por milésimos antes do cair espalhafatoso das granadas do céu. Pareciam cusparadas.&lt;br /&gt;Já sabia as palavras que iria dizer, mecânicas; já tinha certeza das que ele responderia. Só não sabia que as calçadas gritariam angustiadas muito mais do que ela, às vinte horas e cinco minutos da quarta-feira.&lt;br /&gt;Os momentos anteriores eram muito mais reais agora : o roer dos cantos das unhas, muitos deles já ensanguentados; os vários litros de café, a pequena pilha de guimbas de cigarro. Deve ter visto um ou dois conhecidos no popular bar da faculdade, e as palavras ditas eram agora tão enevoadas quanto a fumaça que soltava incessantemente pelas ventas. Não percebera várias coisas, remoendo o discurso já pronto. Seus conhecidos, os sapatos sujos de lama, ou a mim, observando-a.&lt;br /&gt;Não acompanhei a conversa, ou os silêncios. Não vi o tremor das suas mãos, não vi o outro maço de cigarros (comprados no mesmo bar) sendo consumidos vorazmente. Eu já caminhava pra casa, quando a notei, na calçada oposta. E é claro que identifiquei o andar plácido, claro que vi os grossos pingos molhando as meias brancas. Claro que vi. Vi e uni a mim os gritos espelhados das calçadas. Claro que quis chutar as poças, correr até ela, claro que quis lavar suas mãos cheirando a nicotina na chuva inconveniente, abraçar sua angústia, sacudir a maldita placidez das almas que morrem para longe de seus olhos molhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que fiz foi oferecer uma carona no guarda-chuva. Ela não aceitou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mouthful of cavities&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Your soul's a bowl of jokes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;And everyday you remind  me&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;How I'm desperately in need&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;                  (...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;I write a letter to a friend of mine&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;I tell him how much I used to love watch  him smile&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;See I haven't seen him smile in a little while&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Haven't  seen him smile in a little while&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mouthful of Cavities - Blind Melon&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-7825100824271783793?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/7825100824271783793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=7825100824271783793&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/7825100824271783793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/7825100824271783793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2008/10/exerccio-de-observao-1.html' title='Exercício de Observação #1'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-5977890360333799017</id><published>2008-10-06T18:11:00.000-03:00</published><updated>2008-10-06T18:27:15.232-03:00</updated><title type='text'>Cotidiano.</title><content type='html'>Engulo a seco os pedaços mal mastigados de pão de queijo. A tia maternal da cantina não demonstrou muito interesse em mim. Imagino quantas filhas ela já não tem, e quantas, em tempos de cabelos mais negros, desejou ter. O clima úmido dos arredores deste lugar se mistura a esparsas baforadas do cigarro caro, transformando-se numa fumaça viscosa que lambe meus dentes. Estou cercada de cachorros marrons, vira-latinhas amáveis e famintos; infelizmente não comem cinzas de cigarro como eu. Escuto partes de conversas animadas e me pergunto como, neste ar molhado e frio , podem florescer ânimos tão coloridos. "Itália e Portugal, claro!" como não percebi antes?  Os ânimos deles são mais adaptáveis que o meu,  instável como o clima desta ilha frágil. Assim que me acostumar à dor nos ossos , consonante com as fungadas de nariz, surgirá um dia quente, talvez seco: então reclamarei, também em metáforas,  das axilas suadas e de quem consegue se refrescar conversando sobre outros países de clima mais ameno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-5977890360333799017?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/5977890360333799017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=5977890360333799017&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/5977890360333799017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/5977890360333799017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2008/10/cotidiano.html' title='Cotidiano.'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-4165632885236687488</id><published>2008-09-28T20:52:00.000-03:00</published><updated>2008-09-28T21:20:13.677-03:00</updated><title type='text'>Dia novo</title><content type='html'>Um dia aprenderei a olhar além. Além das minhas retinas, além dos meus preconceitos, além das vivências limitadas que sempre sonhei serem maiores. Talvez eu enxergue mais longe que a pele, talvez eu perceba, além dos dentes, o sorriso. Um dia perceberei o voar implícito em cada asa, a lágrima não nascida no olho, o não espaço entre os abraços. Para mais longe que esta pele, estes dentes, esses vazios, estas retinas cansadas. Um dia real e muito além das minhas expectativas; um dia além de mim, novo, cheirando a alecrim. Um dia de muitos outros. Não menos meu, não menos eu: um dia nosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas é nelas (bocas e mãos,&lt;br /&gt;sonhos, greves e denúncias)&lt;br /&gt;que te vejo pulsando,&lt;br /&gt;mundo novo,&lt;br /&gt;ainda que em estado de soluços e esperança."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ferreira Gullar&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-4165632885236687488?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/4165632885236687488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=4165632885236687488&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/4165632885236687488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/4165632885236687488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2008/09/dia-novo.html' title='Dia novo'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-3246564807915110047</id><published>2008-08-16T12:49:00.000-03:00</published><updated>2008-08-16T12:57:32.695-03:00</updated><title type='text'>Sangria</title><content type='html'>Toda vez que eu penso que não dá mais, que a fonte secou, eu sangro. É  um expurgo, um lento escorrer, uma aplicação de sanguessugas digna das épocas mais medievais. Toda vez que vislumbro um abismo eterno sem letras, sem a boa, velha e batida combinação de sangue, suor e lágrimas, e toda vez que encaro o desespero por simplesmente ter murchado elas vêm. Vêm arcaicas, ainda com acentos, brincando, pulando , rolando agressivas e belas como uma trupe de ciganos bêbados. E tudo o que eu posso fazer é sorrir amargurada e começar a digitar, em arroubos agitados, dedos correndo mais rápido ou mais devagar de acordo com a respiração irregular, como quem sufoca os pulmões com ar, como quem soluça. Hiperventilando, o cérebro lentamente se entorpece do que tenho todos os dias, mas que não me afeta mais, ou comove. Do que está lá, a espreita, como a brisa, como os olhares, ou como as ausências. E que volta e meia ressurge, etéreo como uma matilha de cristos no meio de toda essa penumbra, de todo esse nada. Durou uma música.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-3246564807915110047?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/3246564807915110047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=3246564807915110047&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/3246564807915110047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/3246564807915110047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2008/08/sangria.html' title='Sangria'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-4189162341228674107</id><published>2008-07-08T16:00:00.000-03:00</published><updated>2008-07-12T16:22:51.137-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='RPG'/><title type='text'>Primeira sessão (por Alice)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;         Mais uma noite nessa cidade suja. As coisas têm sido diferentes, desde que Juliano sumiu. Tenho tido pesadelos desde então. Pra que diabos aquele velho imundo me disse as regras da pós-vida se nem ele mesmo as segue? Idiota. Estou cercada de idiotas. Ele me disse o nome do príncipe disso aqui, e cheguei à conclusão de que é necessário dar algum jeito de me apresentar a ele já que o velho não o fez. Isso provavelmente irá emputecê-lo, ele que sempre me disse que na verdade não importa muito o que os poderosos pensam. Bom, importa quando é a minha cabeça que está em jogo. Idealismo é uma coisa, estupidez é outra.&lt;br /&gt;        Lá estava eu , perto daquele boteco conhecido pela bebida adulterada e música ruim. Nunca fui de festas em minha juventude, sempre tiveram gente demais, e o lugar fedia a humanos ; o cheiro dos meus ratos é mais agradável que essa mistura doce de perfume barato e goma de mascar. Bom, lá estava eu, passando e procurando alguém que pudesse me arrumar alguns trocados. (Não que eu precisasse deles, mas velhos hábitos são difíceis de mudar. Trocados, alguns ml de &lt;i&gt;vitae&lt;/i&gt;... tudo a mesma merda.) De repente, o fedor se acentuou, e qual não foi a minha surpresa ao ver um ser enorme saindo carregado dali. Na verdade a surpresa não deu por esse fato, afinal tem muito pouca coisa que não vi nessa vida. O que me impressionou foram os comentários dos amiguinhos do brutamontes, que estavam indignados por "um cara tão pequeno conseguir dar uma porrada tão forte". Meus sentidos nunca me enganaram, e não seria dessa vez que deixaria de chutar que havia sangue de vampiro incluso nessa história. Ou isso ou algum mestre chinês de alguma arte esquecida. Seria interessante da mesma forma.&lt;br /&gt;              Talvez um cainita soubesse por onde anda  o inútil do velho (nunca deixei de me impressionar com os contatos estranhos dele), ou como eu pudesse chegar até o tal do príncipe. Devia ser proibido isso, idiotas com informações úteis. Bom, ouvi o que os caras tinham falado, e sabia que em breve aquele boteco sujo se sujaria mais ainda, provavelmente com estilhaços e coisas mais orgânicas. (Já vi essa pintura em muitos asfaltos por aí...) Sentei no bar, tentando ignorar o fuzuê  desse bando de gente, esperando apenas a estupidez dos outros fazer o seu papel. Obviamente, não demorou muito. O grandalhão que entrou me apontou o 'fracote que batia muito', e após errar um tiro miseravelmente percebi que se eu quisesse alguma coisa do bonitinho fracote eu teria que agir. Não foi muito difícil chamar alguns "reforços", heh. A cara do grandalhão ficou mais bonita coberta de baratas. Após alguns momentos, percebi que se não falasse com o bonitinho naquela hora tudo estaria perdido. A cara dele no meio daquela balbúrdia já me dizia bastante, ou apenas o suficiente : "quero sair daqui". Escapatórias nunca foram problema pra mim, e alguns momentos depois estávamos longe do lugar. Junto dele estava outra bonitinha, que pela forma como me olhava e pelas roupas que vestia parecia mais uma daquelas gurias que não sabem porra nenhuma da vida. Ao menos da vida de verdade, longe de vitrines e últimos gritos da moda. Sempre odiei essa gentalha fútil, mas como o bonitinho não parecia querer abrir mão dela, me contentei em ignorar sua presença.&lt;br /&gt;               Chegando ao apartamento incoerente ao tamanho do ego da bonitinha ( pequeno, apertado e cheio de coisas baratas disfarçadas de caras) comecei a me divertir com a estupidez do pequeno. Sempre soube que gente jovem era burra, mas não saber direcionar a &lt;i&gt;vitae&lt;/i&gt; para fechar feridas foi o ápice. Por um instante percebi que o velho não me fora tão inútil assim. "Sempre haverá alguém mais incompetente na pós-vida", dizia ele. Tinha razão.&lt;br /&gt;              Não foi muito difícil retirar as informações de que necessitava do bonitinho. Ele não sabia muita coisa, mas ao que parece a mentora incompetente dele tinha contatos com o príncipe da cidade. Dentre as &lt;i&gt;muitas&lt;/i&gt; coisas que ele não sabia se incluía noção de tempo. Três noites? Três porras de noites? O que ele achava que era? Um mortal, ainda? Idiota. Não quis mudar o prazo, afinal  o bonitinho era burro e esquentado,  eu poderia fazer a vontade dele por algumas vezes para evitar alguns hematomas depois. E já tinha me divertido bastante com o o teatro da &lt;i&gt;vitae&lt;/i&gt; e enfiando aquela pinça enferrujada na ferida dele. Hehe, idiota.&lt;br /&gt;              A noite continuava , escorrendo devagar entre as odiosas luzes dos postes. Junto a ela, o medo, pulsante nas minhas têrmporas, substituindo o sangue que não passava mais ali. Precisava continuar à procura do Juliano, ou pelo menos de uma forma de me apresentar ao príncipe. Novamente, os bons lugares pra procurar eram os bares mais porcos nos bairros mais pobres da cidade. Não demorou muito até eu encontrar o feioso das baratas e mais algum cara grande e inútil por ali. Sorrateiramente escutei a conversa deles, que eu já chutava ser algo relativo ao bonitinho. Planejavam atacar a casa dele, com um monte de gente junto, provavelmente naquela noite ainda. Merda, o bonitinho morto não me seria muito útil. E a julgar pela sua ignorância a respeito das coisas da pós-vida, não duvido que ele apanhasse de um monte de mortais. E lá fui eu mais uma vez, tentar diminuir a merda espalhada pelos outros. Cheguei ao endereço do bonitinho (um apartamento tão ordinário quanto o da bonitinha fresca) bem antes dos brutamontes. No dia que resolverem se importar em fechar as saídas do esgoto eu tô fudida. Se bem que até onde sei essa não é a preocupação do atual prefeito, nem vai ser.&lt;br /&gt;               Quem atendeu a porta foi um cara grande, com dentes de cavalo. &lt;i&gt;Coisalinda&lt;/i&gt;. Tinha a inteligência de um quadrúpede, também.  Não escutou meus conselhos, claro. Nem sei porque ainda tento ser racional com esse tipo de gente. Foda-se também, ver o circo pegar fogo é sempre mais divertido. Se eu percebesse que o bonitinho (que eu nem sabia se estava lá) estava em real perigo, o ajudaria novamente. Carros, fumaça, fogo, sangue, tripas. O natural de uma noite por aqui, e nada do bonitinho aparecer. Quem eu vi foi uma mulher, dando uma surra bem bonita naquele bando de marmanjos. Interessante, com certeza. Bom, informação de mais cainitas não me seriam inúteis,  e assim que percebi que o pior já tinha passado, fui lá bater novamente na porta (ou no que restava dela). O senhor dentes-de-cavalo sobrevivera àquela merda toda. Resolvi arriscar, então. Um breve brilhar de olhos foi o suficiente pra que ele deixasse de me ver como apenas uma mendiga velha. Lá dentro estava a mulher que eu tinha visto antes, e não demorou muito até eu perceber que ela era a mentora incompetente. Agora fazia mais sentido o bonitinho ser tão burro : ela não ficava muito atrás do etereótipo "bata antes e pergunte depois". De qualquer forma, ela se ofereceu pra me apresentar ao príncipe. Boa menina, aquela.&lt;br /&gt;       Agora, é só esperar até o dia certo. Eu, meus ratos e os pesadelos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;Relato da primeira sessão de RPG, jogando com a &lt;a href="http://img58.imageshack.us/my.php?image=raquelalicela4.jpg"&gt;Alice&lt;/a&gt;, minha personagem de Vampiro: a máscara. Ela é uma gangrel mendiga, velha e rabugenta, que fuma um cachimbo 8D. Depois falo mais dela (ou não).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-4189162341228674107?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/4189162341228674107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=4189162341228674107&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/4189162341228674107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/4189162341228674107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2008/07/primeira-sesso-por-alice.html' title='Primeira sessão (por Alice)'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-2152576285460240289</id><published>2008-06-24T11:16:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T01:04:30.381-02:00</updated><title type='text'>Insônia.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/SGEDdJCNPqI/AAAAAAAAABc/lL0hR1WNEbI/s1600-h/Imagem3+005.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/SGEDdJCNPqI/AAAAAAAAABc/lL0hR1WNEbI/s320/Imagem3+005.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215453642648010402" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Sonhos confusos e sexuais. No silêncio das madrugadas, espero o teto escuro do quarto esvanecer, lentamente, as imagens surreais. Diluir visões baseadas no nada, esperar o real sufocar o que não existe apenas com sua concretude. Tolice. Faz tempo que sonhos não me perturbam tanto. Talvez, talvez... a gama caleidoscópica de possibilidades tilintam, pedaços de vidro em asfalto quente, flamejante. Com os olhos acostumados à escuridão, as formas são quase nítidas, distorcidas em sua falta de cor; tudo é cinza, preto e azul. Eu gostaria de abrir as janelas, deixar essas imagens correrem para fora, corcéis desembestados entrando em outros quartos e deflorando sonos alheios, com seus gemidos e fluidos corporais. Não as abro, é claro. Meus edredons pesam duzentos quilos, e estou presa ao calor que morde minhas coxas.&lt;br /&gt;    É engraçado como passam as madrugadas. Com meus amigos descorados antevejo uma série de acontecimentos, e todos são tão possíveis quanto etéreos, das duas às cinco da manhã: um período, no mínimo, pulsante. E, no mundo pegajoso composto de bocejos suspirantes, finalmente volto a dormir. Obviamente, o despertador toca em seguida, martelando metalicamente em meus ouvidos os primeiros raios da manhã.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-2152576285460240289?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/2152576285460240289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=2152576285460240289&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/2152576285460240289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/2152576285460240289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2008/06/insnia.html' title='Insônia.'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/SGEDdJCNPqI/AAAAAAAAABc/lL0hR1WNEbI/s72-c/Imagem3+005.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-5702442182572222223</id><published>2008-06-13T11:24:00.000-03:00</published><updated>2008-07-12T16:23:16.667-03:00</updated><title type='text'>Evolução</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O uso escuso, dissimulado. A fome, estanque, imunda, corroboradora de vísceras podres de abortos naturais. Nojo, nojo da baba viscosa e quente, escorrendo lentamente milímetro por milímetro, lasciva, fétida. Aos poucos se torna um, outro, vários no mesmo ser humano, uma figura tão díspare de todo resto que revira as tripas dos ditos normais. Lentamente caminha, trôpego, cada paralelepípedo sorrindo para ele com dentes de escárnio e olhos quebrados. Maldita cidade corriqueira e sobrevivente, pulsante, acumulando pus nas infecções como ele. Poderia ser considerado um objetivo de vida, aquele: expelindo bile negra por todos os poros, evoluir de gangrena a tumor.&lt;br /&gt;---&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisa (nem dá pra chamar de texto) escrita no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sick&lt;/span&gt;, em uns 9 minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de pimbas nem de chuva em Florianópolis.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-5702442182572222223?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/5702442182572222223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=5702442182572222223&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/5702442182572222223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/5702442182572222223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2008/06/evoluo.html' title='Evolução'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-89143290281306929</id><published>2008-03-12T20:14:00.000-03:00</published><updated>2008-07-12T16:23:39.974-03:00</updated><title type='text'>Água?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chove, após o inferno. A água acumulada nos meus pulmões finalmente se transformou nesses cáusticos pingos sobre minha cabeça, e hoje o dia é muito mais cinza. Chove, nada é limpo, tudo apenas se derrete num amálgama explicitamente azedo, cor de bile. Lentamente as angústias acumuladas se transformam em matéria líquida, pronta a esterelizar a terra negra que quase grita aos primeiros pingos. É um final de dia mentiroso, daqueles em que a realidade não parece aguentar mais existir. Nele afogo sem piedade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-89143290281306929?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/89143290281306929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=89143290281306929&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/89143290281306929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/89143290281306929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2008/03/gua.html' title='Água?'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-2456101709991444119</id><published>2008-03-03T17:34:00.000-03:00</published><updated>2008-07-12T16:24:03.926-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O General em seu Labirinto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leitura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gabriel García Márquez'/><title type='text'>Projeto Leitura de Férias – "O General em seu Labirinto" – Gabriel García Márquez</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Último do projeto de leitura de férias, O General em seu Labirinto é um livro ligeiramente fantasioso mas altamente baseado numa pesquisa bem coerente que o autor fez sobre os últimos dias de Simon Bolívar. Eu gostei bastante pelo teor da informação, já que eu (oh, a vergonha) sei bem pouco (pra não dizer quase nada) sobre a história da América Latina. Ter novos tipos de informação que deveriam ser básicos pra mim passados pelo senhor Marquéz foi uma experiência bem agradável, já que dentre várias descrições das viagens e trâmites políticos que se passavam enquanto Simon Bolívar dava seus últimos passos pela terra Gabriel às vezes coloca o toque sutil dele, contando 'causos' da vida do general ou características da cidade em que ele se encontra com a forma única de descrição que lhe é característica. É engraçado, ao ler esse livro não pude deixar de comparar o personagem principal a um outro general, o do "Outono do Patriarca". Eles são absurdamente diferentes um do outro, mas com peculiaridades bem parecidas. Pena que não terminei de ler esse segundo livro pra poder desenvolver mais essa idéia; acho que daria pra fazer parâmetros bem legais. Bah, tentarei fazer assim mesmo e arriscar a crucificação pelas moscas que frequentam meu blog: no "General em Seu Labirinto" o autor usa o tipo de narração parecido com o "Notícia de um Sequestro", bem factual e conciso, com umas pinceladas coloridas aqui e ali. Acho que isso se deve ao fato de ambos serem baseados em fatos reais, e o autor ter um lado jornalista bem apurado. Já no "Outono do Patriarca", cujo tema é bem parecido com o "General em seu Labirinto" ele muda completamente o tipo de narrativa, fazendo períodos infinitos e uma sucessão de metáforas que chegam a deixar quem lê tonto (ao menos foi o meu caso). Queria saber as motivações que o levaram a mudar tanto a narrativa de um livro pro outro...Mas bem, deixando de teorias e análises absurdas sobre a forma de escrever do autor e voltando ao que interessa: o personagem principal é bem desenvolvido -como sempre-,  a história fica meio confusa às vezes porque não é completamente linear, mas isso não é um fator negativo, já que deixa a leitura mais interessante. Gostei bastante de ver o esforço do autor a se manter fiel aos registros da vida do Bolívar, se baseando em suas muitas mil cartas e estudos acadêmicos sobre  o homem, não se limitando aos fatos e cidades em que esteve mas também nas suas manias e caprichos, como a sua forma de falar e se portar. Fazer tudo isso com base histórica deve ter dado um puta trabalho...Também a idéia de retratar um lado não muito visto do personagem principal, como seus últimos dias, vividos no esquecimento, pobreza e doença, não os dias de glória ou à sua futura fama pós-morte, foi um aspecto muito legal e bem típico do Gabriel García Márquez. Obviamente recomendo a leitura, mas quando se trata do Gabriel eu sou suspeita pra falar...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-2456101709991444119?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/2456101709991444119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=2456101709991444119&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/2456101709991444119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/2456101709991444119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2008/03/projeto-leitura-de-frias-o-general-em.html' title='Projeto Leitura de Férias – &quot;O General em seu Labirinto&quot; – Gabriel García Márquez'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-5167601004623044014</id><published>2008-02-17T11:45:00.000-03:00</published><updated>2008-07-12T16:24:30.570-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dance dance dance'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Haruki Murakami'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leitura'/><title type='text'>Projeto leitura de férias - "Dance dance dance"- Haruki Murakami</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse livro é a continuação do "Caçando Carneiros". Bom, eu não gostei dele  não. Vários foram os motivos, mas acho que o principal (ou um dos) foi o fato dele ter mudado bastante a narrativa... os toques surreais que ele colocou no outro volume simplesmente não estavam lá, quase não houveram diálogos a lá Pulp Fiction... Ele introduziu personagens interessantes, mas toda vez que eles iam conversar parecia que o autor queria repassar as próprias conclusões sobre a vida e relacionamentos por meio deles, o que muitas vezes não condizia com as descrições que ele tinha feito dos personagens; não gosto disso. Uma personagem  legalzinha foi a Yuki, uma menina de 13 anos bem mimada, mas que perdeu o brilho ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sempre&lt;/span&gt;  fazer as perguntas 'certas' pro personagem principal responder com a mensagem do autor por trás. Até a idéia principal do livro (que inspirou o título Dance dance dance) quase que rescinde a auto-ajuda. O ápice dessa impressão de 'olha eu sou o autor e quero aparecer' foi quando ele colocou um personagem cujo nome é um anagrama com as letras do nome do próprio Murakami. Péssimo.&lt;br /&gt;Os elementos que ele colocou pra dar toques mais coloridos à trama foram muito mal explicados, não de forma a criar uma dúvida legal que nem no outro livro, apenas pareceu que ele jogou cenas desconexas a toa, tudo ligado por algo meio espírita no meio(o que não explica, justifica ou é divertido de forma nenhuma, só cria "verdades absolutas"insossas), sem contar que apesar da desconexão das cenas certas coisas ficavam bem previsíveis.&lt;br /&gt;As personagens do Caçando Carneiros que reapareceram pareciam outra coisa,  só ligadas ao primeiro livro pelo nome. Paradoxal, não? Afinal não haviam nomes no primeiro livro... Mas o que aconteceu foi: o autor pegou e falou 'mulher de orelhas mais bonitas do mundo' no segundo livro, e aí eu pensei 'ok, eu sei quem é essa'. Em  seguida deu a ela um nome e uma história e bem,matou a personagem, que já não tinha NADA a ver com aquele ser sem nome mas com diálogos interessantes do primeiro livro.&lt;br /&gt;A parte que mais gostei foram as explicações por meio de exemplos de como funcionam os principais mecanismos do capitalismo hoje em dia (exemplos dados pelo personagem principal a pedido de Yuki por meio de perguntas convenientes), que eu achei bem legais, mas porque me interesso por isso. Não sei se quem ler quer saber o tanto que o autor entende de economia global.&lt;br /&gt;A leitura não foi chata nem nada, a fiz em poucos dias varando madrugadas, mas foi bem decepcionante. Na minha cabeça ficaram as impressões 'carência do autor' 'pressa' e 'editores cobrando outro best seller'. Blé.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-5167601004623044014?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/5167601004623044014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=5167601004623044014&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/5167601004623044014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/5167601004623044014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2008/02/projeto-leitura-de-frias-dance-dance.html' title='Projeto leitura de férias - &quot;Dance dance dance&quot;- Haruki Murakami'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-3591385904142102643</id><published>2008-01-31T19:55:00.000-02:00</published><updated>2008-07-12T16:24:53.391-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paulo Leminski'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gozo Fabuloso'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leitura'/><title type='text'>Projeto leitura de férias : "Gozo Fabuloso" - Paulo Leminski</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse livro é algo controverso, pelo que acabei de ler no seu posfácio. De acordo com ele,  Leminski não costumava escrever contos, e não obstante isso costumava criticar  muito o gênero. Mas não é sobre isso que vou falar (apesar de que se eu soubesse disso antes teria lido  com outros olhos),  e sim da minha impressão sobre o livro.&lt;br /&gt;Como eu já disse, é um livro de contos, ou seja, muitas histórias começadas, poucas desenvolvidas e algumas -só algumas- finalizadas. Típico de contos. Eu tenho certa agonia de ler esse tipo de escrita, pois não consigo mergulhar tantas vezes em personagens tão diferentes, que nascem e morrem tão facilmente. Tanto que demorei horrores pra terminar esse livro, visto que eu o fechava depois de dois ou três contos com uma confusão na minha cabeça, uma mistura de alívio, tristeza por me despedir tão rapidamente de personagens tão interessantes e fascínio pelas várias brincadeiras de narrativa que o autor faz, indo de fofocas entre deuses até histórias melancólicas sobre diários de pessoas doentes, passando por cachorrros e latidos e até conversas entre computadores (não pessoas por trás de computadores, computadores mesmo). Eu não vou me atrever a eleger um melhor conto. Eles são diferentes demais pra eu nivelá-los ao meu gosto só por estarem no mesmo livro... Foi uma experiência interessante, mas como eu já disse, conturbada. Tive várias idéias pra complementar os contos que acabam de repente, idéias que desapareceram por completo assim que eu começava a ler outra história.&lt;br /&gt;Às vezes acho que o Leminski fez isso de propósito, pra brincar e rir da cara de quem lê, os fãs dos contos até então tão criticados por ele. O tom varia demais de conto pra conto, isso é difícil de fazer. Geralmente um autor tem o mesmo tom em vários &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;livros, &lt;/span&gt;é como se o tom fosse algo extremamente pegajoso, não sei explicar direito. E em "Gozo Fabuloso" mudar o tom, de alguma forma, parece algo que se faz com olhos fechados e em uma perna só. Eu não sei nada do Leminski, do que ele tava passando na vida quando publicou esse livro, nem quanto tempo ele demorou pra fazer essa coletânea, mas é essa a impressão que ele me passou. A de que mudar o tom das coisas é fácil...Logo vários pontos pro cara.&lt;br /&gt;Talvez eu precisasse escrever alguma coisa toda vez  que terminasse um conto, daí minha opinião seria um pouco mais elaborada e válida. Lerei novamente esse livro um dia, isso é certeza. Outra certeza é a de que eu me diverti em vários deles, e a facilidade de Paulo Leminski brincar com as palavras é inegável. Tenho uma parca lembrança de ter lido em algum lugar que ele também era poeta... se for, tá explicado. Recomendo a leitura, pra quem tem facilidade de se desapegar às coisas, ou dificuldade pra se apegar a elas (afinal um pouco de conturbação não mata ninguém).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-3591385904142102643?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/3591385904142102643/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=3591385904142102643&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/3591385904142102643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/3591385904142102643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2008/01/projeto-leitura-de-frias-gozo-fabuloso.html' title='Projeto leitura de férias : &quot;Gozo Fabuloso&quot; - Paulo Leminski'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-5204955948037290252</id><published>2008-01-01T20:03:00.000-02:00</published><updated>2008-01-01T20:44:19.212-02:00</updated><title type='text'>Boêmia, escoteiros e corais: um bom começo de 2008.</title><content type='html'>&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-2fd105c6fc0e5a83" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v19.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3D2fd105c6fc0e5a83%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330393835%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D3C75045800EAAF22EDA40FE38FB473533D1C0C61.45A030292C26F02CC22C7DF656F7CC2058E4A76D%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D2fd105c6fc0e5a83%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DCE_ITiA2Ra5p3_XumEKNVMqHwQo&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v19.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3D2fd105c6fc0e5a83%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330393835%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D3C75045800EAAF22EDA40FE38FB473533D1C0C61.45A030292C26F02CC22C7DF656F7CC2058E4A76D%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D2fd105c6fc0e5a83%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DCE_ITiA2Ra5p3_XumEKNVMqHwQo&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pedaço do musical 'Rent', que vi ontem de madrugada enquanto minha cabeça giraava, e girava...Quis colocar aqui pra poder lembrar depois, afinal eles capturaram bem o clima  das festas  que se passarão no bar do Seu Almeida, um dos personagens de Changeling da aventura que tô parindo. Aliás, ontem na festa, conversando com o escoteiro e com os cantores de coral (que acompanhavam o musical fazendo uma performance ao vivo só pra mim -a única pessoa semibêbada acordada-), eu tive bem a idéia de como devem ser as infusões de glamour tão faladas  no livro.  Divertido bagará, e uma boa forma de começar 2008. Nada como ser nerd e bicha e pensar em aventuras de rpg vendo musicais... &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;^^&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-5204955948037290252?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=2fd105c6fc0e5a83&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/5204955948037290252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=5204955948037290252&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/5204955948037290252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/5204955948037290252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2008/01/bomia-escoteiros-e-corais-um-bom-comeo.html' title='Boêmia, escoteiros e corais: um bom começo de 2008.'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-2617912661452170069</id><published>2007-12-29T22:54:00.000-02:00</published><updated>2008-02-17T12:27:29.223-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caçando Carneiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Haruki Murakami'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leitura'/><title type='text'>Projeto leitura de férias : "Caçando Carneiros" - Haruki Murakami</title><content type='html'>Então, terminei esse livro hoje e me surgiu a idéia de registrar o que tenho lido nessas férias. Não será algo como resenhas não, só a minha impressão do  que tenho lido. Caso saia algo a lá 'leituras recomendadas' achado em revistas semanais, não foi essa a intenção.&lt;br /&gt;Bom, o livro do Haruki Murakami não é o primeiro que leio nessas férias, mas o fato de ter me dado vontade de registrar em algum lugar a sensação de o ter lido demonstra que ruim ele não é, na minha singela opinião. A obra tem uma narrativa rápida e gostosa de ler, que começa com capítulos bem curtos e sucintos que aos poucos vão se encompridando à medida que a trama da história se desenvolve. O engraçado é que a história é meio absurda, mas isso não é contado de forma extravagante ou cinematográfica. O autor conseguiu focar mais nos detalhes do cotidiano (que expressam muito bem cada personagem) do que nos fatos correlacionados esquisitamente e que levam a acontecimentos mais estranhos ainda, envolvendo carneiros e grandes corporações. É legal que ele meio indiretamente expõe isso, pois o personagem principal (que é o narrador da história) mantém um relato minucioso de quantos cigarros costuma fumar durante o dia, ou suas refeições e a forma de prepará-las mas esquece (ou se lembra muito depois) de informações que o ajudariam muito em sua busca, que teria tudo pra ser o ponto alto da história, já que é quase uma fábula. Outro detalhe legal é que nenhum dos personagens tem nome. Confesso que me assustei um pouco quando li  essa particulardade do autor nas orelhas do livro, mas isso não se mostrou empecilho nenhum ao reconhecimento de cada personagem.&lt;br /&gt;Dei algumas boas risadas com os diálogos, que me lembraram bastante os de Pulp Fiction devido às argumentações sérias a respeito de temas absurdos. Divertido bagará. Isso me fez simpatizar um monte com o personagem principal, a portadora das orelhas mais bonitas do mundo e com o motorista do carro, que aparece poucas vezes mas marca presença em todas elas.&lt;br /&gt;No verso e nas orelhas (escritos pelo editor), o livro  é colocado como um retrato do "niilismo pós-industrial japonês", marcado por impessoalidade, fetiches por marcas e outras coisas mais. Nem senti isso não. Apesar do autor não explorar características extremamente pessoais, sentimentos e as relações entre os personagens de forma descarada, ele demonstra a humanidade deles de outra forma, como nos  atos e nas comidas que o personagem principal prepara. O autor usa uma linguagem sem muitas firulas, mas isso não me passou a impressão de automatismo dos personagens ou coisas do tipo. Já li muitas coisas que demonstram um Japão e uns japoneses muito  mais frios, levados por marcas, niilistas consumistas pós-modernos, etc -o que inclui revistas de moda de lá-. O livro tem um tom bem triste em certas partes (creio que foram nelas que o editor se inspirou), mas nada que não se veja no nosso dia-a-dia de cidade grande. Há uma ligeira sombra de crítica à sociedade capitalista, mas só fica nisso mesmo, ligeira sombra. Uma penumbrinha, eu diria até.&lt;br /&gt;Enfim, eu recomendo a leitura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-2617912661452170069?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/2617912661452170069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=2617912661452170069&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/2617912661452170069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/2617912661452170069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2007/12/projeto-leitura-de-frias-caando.html' title='Projeto leitura de férias : &quot;Caçando Carneiros&quot; - Haruki Murakami'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-5636954103119960196</id><published>2007-12-24T01:45:00.000-02:00</published><updated>2007-12-24T02:17:48.175-02:00</updated><title type='text'>Bom dia</title><content type='html'>Não sabia o que dizer, o que pensar. Violência, claro; Antiga, a mesma que  a retirara do útero. Os olhos, abertos e cegos por toda aquela luz. Os ouvidos, repentinamente alertas. Ambos imersos num nada irracional de susto; sufocados por todo aquele monte de informação crua, dolorosa, desnecessária.  As ondas sonoras se mesclavam, mecânicas que são, aos seus sentidos, ansiosos por deixarem sua primeira função e voltarem à segurança quente das cobertas. Exatamente a mesma força, a mesma viril e bruta força  que a puxara de uma só vez pelo corte na barriga. Não sabia o que dizer, mas sabia como: o grito saiu então como quem respira, natural, límpido e claro. Saiu, como quem nasce, em busca de algo para cessar tudo aquilo, se erguendo numa cortina que fingia ser muro. Achando que em um grito se podia engolir o mundo, com todas as suas velharias. Tolice. Então, o  medo, medo da montanha de raiva e pêlos que agora se impunha diante dela, pulsos em riste, ameaças gritadas e pequenas bolas de cuspe se grudando em seus globos oculares. Não ousou sequer piscar, e a face dele adquiriu o formato de algum tipo de aberração achada em livros de rpg. Nova velha violência, e o silêncio. Bom dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-5636954103119960196?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/5636954103119960196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=5636954103119960196&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/5636954103119960196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/5636954103119960196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2007/12/bom-dia.html' title='Bom dia'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-4768045134231277345</id><published>2007-12-06T02:25:00.000-02:00</published><updated>2007-12-06T02:55:04.717-02:00</updated><title type='text'>De volta pra casa.</title><content type='html'>Adoro a sensação de final de semestre. Misturadas à gastrite -que perdurará durante as férias- sempre está um novo fôlego vindo sei lá de onde. E a perspectiva da volta pra casa, tão diferente a cada vez. Vou rever pessoas queridas, não ver pessoas queridas, talvez (re)encontrar pessoas que já foram as mais queridas, evitar as que não são mais. Aos poucos, essa expectativa se torna menos apavorante e mais gostosa, mesmo que com ela venham as tão temíveis decepções. Ainda há pra quem voltar, e ora pois, sempre haverá. Ao menos nos próximos dez anos, enquanto a morte não diz olá pras pessoas mais queridas eternamente, enquanto os caminhos das ainda queridas pessoas não se separam definitivamente -como ocorreu com algumas-, enquanto os das não mais queridas simplesmente perdem toda a cor, e claro, o sentido. E ainda assim, quando tudo humano tiver virado pó ou se perdido no meio dele, ainda haverá ela, com suas retas e aquele céu que me arranca pelo menos um suspiro por vez. No dia em que as entranhas de Brasília morrerem, ainda haverá sua casca, que está também esculpida nas minhas tripas, de uma forma muda e pulsante. Afinal, é nas folhas secas e ruas largas que meus pés aprenderam a andar. E não há como não ser delicioso e dolorido toda vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-4768045134231277345?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/4768045134231277345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=4768045134231277345&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/4768045134231277345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/4768045134231277345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2007/12/de-volta-pra-casa.html' title='De volta pra casa.'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-6407346271025413084</id><published>2007-11-26T14:25:00.000-02:00</published><updated>2007-11-26T14:55:05.736-02:00</updated><title type='text'>Texto aleatório</title><content type='html'>As mãos dela escorriam friamente até o chão, e dali para todos os bueiros fétidos das piores partes de cada uma das maiores metrópoles. Se misturavam ao  mijo, aos restos de drogas, à porra e a vários tufos de pêlos. As mãos dela escorriam, apalpando cada um desses dejetos, batendo palmas de vez em quando, no ritmo cadenciado do coração dos coléricos. E cada vez mais rápido, aplaudiam, e cada vez mais forte, o sangue era bombeado em suas têmporas. Suas mãos estavam escorrendo, e nada as impedia. Gota a gota fria lá se iam suas unhas, dedos e cutículas.  E ela sentia as texturas todas, das pontas das seringas usadas aos infinitos coliformes fecais. Tudo deixando uma intrincada tatuagem no seu cérebro, enquanto lentamente ela deixava de ser alguém (lá se iam, uma por uma, suas muitas impressões digitais). Era o preço a se pagar, por ousar encostar no mundo. Tudo era tão bonito que ela não deixou de sorrir, enquanto o ralo se tingia de vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(bla bla blá. Eu sei.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-6407346271025413084?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/6407346271025413084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=6407346271025413084&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/6407346271025413084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/6407346271025413084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2007/11/texto-aleatrio.html' title='Texto aleatório'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-1057362013279617244</id><published>2007-10-27T12:22:00.000-02:00</published><updated>2007-10-27T13:51:12.420-02:00</updated><title type='text'>From a seed to a tree</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Sempre percebi as relações, livros, fatos, músicas e tudo mais como pedaços de um mosaico em constante atualização. Todo mundo tem o seu, com pitadas mais coloridas ou não, com muita ou pouca música, com relações doentias ou alegres, doentiamente alegres, quem sabe; com profundidade tocante, superficialidade ofuscante e todas essas antíteses-não-tão-distantes-assim  que não quero continuar a enumerar. Enfim, mosaicos diferentes pra pessoas diferentes, nada de novo até então.  Todavia, uma coisa que nunca tinha notado até essa manhã de sábado (ao menos não tão claramente) é que esse mesmo mosaico também é composto de espaços vazios. Na maioria das vezes (arrisco a pensar que talvez em todas)  tais vazios surgiram de pedaços arrancados. Das mais variadas formas pode se dar a retirada dos pedaços, seja ela por meio das clássicas proibições às sutis chantagens emocionais que levam você mesmo a se privar do que gosta, do que você é. Talvez retirados às dentadas brutas ou com a precisão cirúrgica que só anos de prática podem dar.  Das retiradas conscientes e inconscientes daqueles a quem você mostra os pontos macios do teu mosaico, conscientemente ou inconscientemente. Claro que o que acrescenta (os tais livros, fatos, músicas...) acaba se interpolando nesses espaços, que não foram originariamente planejados pra isso. É dessa forma que aquelas várias tiradas geniais, as correlações bizarramente agradáveis ou surpreendentemente tocantes surgem. Do que escorre, para o que falta. Outra variável aparece então, a capacidade das coisas que você construiu até então de ocupar tais espaços, e criar híbridos de monstros e fadas, nem sempre bonitos mas interessantes toda vez. Obviamente essa "elasticidade" não é algo que você planeja (pelo menos não na maioria das vezes), afinal ninguém pensa ao ler um livro "ah, isso pode me ajudar a compensar em certo grau toda aquela merda na minha família", mas quando você se pega emocionado com algum personagem, ou talvez (por que não?) aprendendo com a situação posta no livro (música, relação, etc) , taí um curativo pro vazio sangrante do teu mosaico. Não, nunca vai compensar. Às vezes quase não se vê as cicatrizes, outras fica evidente o tamanho do rombo feito, mas ainda assim nunca se compensa. Vivemos assim, crescemos assim, aprendendo a se virar entre buracos e todo o resto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"And I wish there was a way for me to go inside so I could see&lt;br /&gt;All the faces  of the people who have torn a piece of me&lt;br /&gt;As I grew from a seed to a tree..."&lt;br /&gt;Seed to a tree - Blind Melon&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-1057362013279617244?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/1057362013279617244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=1057362013279617244&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/1057362013279617244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/1057362013279617244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2007/10/from-seed-to-tree.html' title='From a seed to a tree'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-5594269709073722491</id><published>2007-10-20T22:53:00.000-02:00</published><updated>2007-10-20T23:37:50.724-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Zeca Baleiro review'/><title type='text'>Eu e o Zeca</title><content type='html'>Há muitos e muitos anos, nos tempos da minha pré-adolescência tão cheia de Nirvana, Guns n' Roses, Black Sabbath e afins, conheci o Zeca baleiro. Mais especificamente, conheci a música Heavy Metal do Senhor, em um livro didático de língua portuguesa. Tinha uma estátua de anjo colorida bizarramente ao lado da letra da música. Escutei a música não sei quanto tempo depois,(num cd de uma tia) e gostei bastante. Porém, me recusei a curtir o resto do cd, tão cheio de ritmos proibidos a qualquer pré-adolescente angustiado. Fui tornar a escutar algo dele apenas no segundo ano do colegial, por meio de uma amiga, tão radiante quanto as músicas que em breve me conquistariam tanto. Era (mais) uma fase conturbada na minha vida, e as músicas do cara fizeram  o prodígio de conseguir me deixar contemplativa no meio de um monte de merda sendo jogada no ventilador. Notar a poesia nos sons mais populares, ver a língua portuguesa sendo usada com maestria, seja pelas metáforas fodas ou pelo delicioso som dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nossos&lt;/span&gt; fonemas brasileiríssimos foi estonteante. E as músicas dele têm me acompanhado nos momentos em que consigo por alguns instantes colocar todo o peso do mundo entre parênteses e me permitir alguns suspiros de vez em quando. Nem sempre elas falam de coisas bonitas e agradáveis, claro. Mas tudo fica bem, bem mais leve. Aos poucos fui conseguindo notar cada particularidade álbum por álbum, da beleza em tons pastéis do Líricas ao chutar de balde do Pet shop Mundo Cão. Sempre me surpreendendo, o querido Zeca. Fui a um show dele em 2006, e ele não só faz coisas belas como é uma pessoa super amável.&lt;br /&gt;Baixei o cd mais recente dele hoje (Lado Z ), e nem pensava que eu iria acabar escrevendo uma resenha sobre ele. Nem sei se pode ser considerada resenha, na verdade. Mas que seja. O cd começa com músicas que vou demorar a gostar, tem várias participações e confesso que achei as letras mais pobres do que o Zeca é capaz de fazer. Vou pesquisar se são dele mesmo mais tarde. Provavelmente a minha história com esse álbum será parecida com a do Vô Imbolá, que escuto raramente e -medo- fico toda dançante. E entre essas músicas dançantes e as tristes que vou ter que escutar com mais cuidado surgiu, pra mim, a pérola do cd. "Roda morta" é o nome da faixa, provavelmente uma homenagem à "Roda Viva" do aclamado Chico Buarque. Nessa música eu vi o Zeca que eu conheço... metáforas fortes, inesperadas, viscerais da forma que eu mais adoro ever.&lt;br /&gt;Depois tem uma faixa com uma mulher, Vanessa alguma coisa.  É engraçado que a melodia  dessa música é meio brega (o estilo musical mesmo), mas a temática difere do que conheço do estilo.Me lembrou a música 'Olhos nos Olhos" do aclamado Chico Buarque, pelo tom pé-na-bunda-mas-ainda-gosto-de-você que ela tem; Sempre gosto dessas.  O cd fecha com uma música engraçada e divertida, chamada "O coro das velhas". Adorável. O cd não está nos melhores pra mim, mas essas faixas que citei entram no ranking fácil fácil. Coloco a letra da Roda Morta aqui, pra quem quiser dar uma olhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;"O triste nisso tudo é tudo isso&lt;br /&gt;Quer dizer, tirando nada, só me resta o  compromisso&lt;br /&gt;Com os dentes cariados da alegria&lt;br /&gt;Com o desgosto e a agonia da  manada dos normais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O triste em tudo isso é isso tudo&lt;br /&gt;A sordidez do  conteúdo desses dias maquinais&lt;br /&gt;E as máquinas cavando um poço fundo entre os  braçais,&lt;br /&gt;eu mesmo e o mundo dos salões coloniais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colônias de abutres  colunáveis&lt;br /&gt;Gaviões bem sociáveis vomitando entre os cristais&lt;br /&gt;E as cristas  desses galos de brinquedo&lt;br /&gt;Cuja covardia e medo dão ao sol um tom  lilás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vejo um mofo verde no meu fraque&lt;br /&gt;E as moscas mortas no  conhaque que eu herdei dos ancestrais&lt;br /&gt;E as hordas de demônios quando eu  durmo&lt;br /&gt;Infestando o horror noturno dos meu sonhos infernais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que  quando acordo eu visto a cara falsa e infame&lt;br /&gt;como a tara do mais vil dentre  os mortais&lt;br /&gt;E morro quando adentro o gabinete&lt;br /&gt;Onde o sócio o e o alcaguete  não me deixam nunca em paz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O triste em tudo isso é que eu sei disso&lt;br /&gt;Eu  vivo disso e além disso&lt;br /&gt;Eu quero sempre mais e mais.&lt;br /&gt;mais e  mais"&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Roda Morta - Zeca Baleiro&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-5594269709073722491?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/5594269709073722491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=5594269709073722491&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/5594269709073722491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/5594269709073722491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2007/10/eu-e-o-zeca.html' title='Eu e o Zeca'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-2693220675745122295</id><published>2007-10-13T20:17:00.000-03:00</published><updated>2007-10-13T20:47:30.340-03:00</updated><title type='text'>Here we go again</title><content type='html'>Quando me mudei pra cá, eu imaginava coisas diferentes. Não que as coisas fossem mudar subitamente, ou ficar mais fáceis. Mas eu imaginava que pela mudança absurda de ambiente e convívio uma certa facilidade em colocar as coisas em perspectiva , os problemas e os fantasmas um pouco de lado. E, por um tempo, isso foi verdade. Durante alguns meses as novidades eram tantas que eu teoricamente teria toda a base para rever tudo isso.  Obviamente, não o fiz. E, enquanto tudo o que eu construía por aqui parecia sem nenhuma rachadura, tudo o que fiz foi olhar fascinada pro sol. Agora, quando as coisas começam a rachar, os defeitos novamente dizem olá e os fantasmas voltaram das férias, percebo que as coisas são bem pouco diferentes. Afinal, muda-se de cidade, de apartamento, de amigos, mas os olhos continuam os mesmos. Os velhos e quebrados olhos, agora com retinas queimadas.&lt;br /&gt;        E, paradoxalmente, é nesse reencontro indesejável que começo a reavaliar tudo, e contemplo direito os meus "novos" edifícios cheios de rachaduras. E a beleza deles, em cada pedaço que expõe a fragilidade escondida, é estonteante. O lixo nas ruas de Florianópolis, os problemas na faculdade, os medos e fantasmas de quem admiro, tudo isso os traz para perto de mim de uma forma tão intensa que eu volta e meia insisto em esquecer. E eu sinto finalmente que posso começar a amar isso aqui, de uma forma menos contemplativa e muito mais verdadeira...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-2693220675745122295?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/2693220675745122295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=2693220675745122295&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/2693220675745122295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/2693220675745122295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2007/10/here-we-go-again.html' title='Here we go again'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-988819761065920016</id><published>2007-09-24T22:34:00.000-03:00</published><updated>2007-09-24T23:12:08.723-03:00</updated><title type='text'>De precipício em precipício</title><content type='html'>Às vezes dá vontade de voltar ao útero da ignorância, do conforto, das sensações vazias sentidas pela metade (se é que isso já existiu um dia), ao mundo translacional ao meu umbigo. Quem sabe, nesse passado que insisto em embelezar, as contingências fossem apenas um pouco menos cruéis, e os mecanismos de defesa mais fortes em seu anonimato. Mas é claro que eu não poderia me contentar com isso, e desde muito cedo cedi ao ímpeto masoquista de sentir. De apertar com toda força os porcos espinhos, explicitando, analisando, dissecando meus mecanismos de defesa ao máximo, os pondo de lado ao mesmo tempo que  cutuco aquele velho vício de sonhar. Claro que existem períodos em que essas coisas ficam mais desbotadas, e o aqui e agora ofuscante, bonito, feliz, raso e meu preenche minha vida.Um ano e nove meses foi um puta recorde. Que venham as pontadas. Afinal, não sou só eu em mim, e os outros têm espinhos bem afiados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;pre&gt;"Ficou difícil, tudo aquilo, nada disso&lt;br /&gt;Sobrou meu velho vício de sonhar&lt;br /&gt;Pular de precipício em precipício, ossos do oficio&lt;br /&gt;Pagar pra ver o invisível e depois enxergar&lt;br /&gt;Que é uma pena, mas você não vale a pena, não vale uma&lt;br /&gt;fisgada dessa dor&lt;br /&gt;Não cabe como rima de um poema, de tão pequeno&lt;br /&gt;Mas vai e vem, e envenena, e me condena ao rancor&lt;br /&gt;De repente cai o nível e eu me sinto uma imbecil&lt;br /&gt;Repetindo, repetindo, repetindo como num disco riscado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho texto batido dos amantes mal amados, dos&lt;br /&gt;amores mal vividos&lt;br /&gt;E o terror de ser deixada&lt;br /&gt;Cutucando, relembrando, reabrindo a mesma velha ferida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é pra não ter recaída que não me deixo esquecer&lt;br /&gt;Que é uma pena, mas você não vale a pena, não vale uma&lt;br /&gt;fisgada dessa dor&lt;br /&gt;Não cabe como rima de um poema, de tão pequeno&lt;br /&gt;Mas vai e vem, e envenena, e me condena ao rancor&lt;br /&gt;De repente cai o nível e eu me sinto uma imbecil&lt;br /&gt;Repetindo, repetindo, repetindo como num disco riscado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho texto batido dos amantes mal amados, dos&lt;br /&gt;amores mal vividos&lt;br /&gt;E o terror de ser deixada&lt;br /&gt;Cutucando, relembrando, reabrindo a mesma velha ferida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é pra não ter recaída que não me deixo esquecer&lt;br /&gt;Que é uma pena, mas você não vale a pena"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rita - Não vale a pena&lt;br /&gt;&lt;/pre&gt;&lt;br /&gt;(sim, textos diretos -e piores que o normal- também existem por aqui.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-988819761065920016?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/988819761065920016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=988819761065920016&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/988819761065920016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/988819761065920016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2007/09/de-precipcio-em-precipcio.html' title='De precipício em precipício'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-2641641008531872130</id><published>2007-09-11T21:39:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T01:04:30.897-02:00</updated><title type='text'>Rosas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/Ruc3hFImp-I/AAAAAAAAAAs/3UMQwQ4x5bs/s1600-h/rosas1.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/Ruc3hFImp-I/AAAAAAAAAAs/3UMQwQ4x5bs/s320/rosas1.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109113343728592866" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E, novamente, lá estavam elas: desta vez perto da porta semi aberta do quartinho de lixo seco do prédio, num saco de supermercado. Teoricamente  deveriam estar num contêiner de lixo orgânico lá no térreo, mas, novamente, lá estavam elas. Não, não fui eu quem as colocou ali, mas fui eu a  recepcionada por elas. Não sei se isso é comum, mas achar rosas agonizantes por aí é algo que acontece com certa frequência em minhas andanças rotineiras. Às vezes uma única no asfalto, às vezes diversos buquês nas mais variadas lixeiras.   É como se elas me perseguissem, me obrigando a lembrar que sim, ainda existe poesia no mundo. Ainda que em  sacos plásticos, lixeiras, asfalto; Ainda que, sempre, morrendo.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/Ruc3hlImp_I/AAAAAAAAAA0/F_QWD3TjtDw/s1600-h/rosas2.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/Ruc3hlImp_I/AAAAAAAAAA0/F_QWD3TjtDw/s320/rosas2.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109113352318527474" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-2641641008531872130?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/2641641008531872130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=2641641008531872130&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/2641641008531872130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/2641641008531872130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2007/09/rosas.html' title='Rosas'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/Ruc3hFImp-I/AAAAAAAAAAs/3UMQwQ4x5bs/s72-c/rosas1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-3670416277827000095</id><published>2007-09-09T22:19:00.000-03:00</published><updated>2007-09-09T22:47:20.618-03:00</updated><title type='text'>Feriado</title><content type='html'>Nesse feriado, após uns dez anos, minha família se reuniu em viagem de novo. É esquisito o misto de sensações que isso passa: o estranhamento ao ver um irmão de barba fechada (e outro careca), a saudade compriida dos tempos de praia, fliperama, das intermináveis viagens de carro e tantas outras lembranças conjuntas. Não que minha família se odeie e não se fale há anos ou algo do tipo, nós apenas crescemos e as viagens passaram a ser algo impraticável nas nossas rotinas. Enquanto conversava com meus irmãos no silêncio da madrugada, um  conforto quase surreal invadiu meus pulmões, e várias coisas que eu tinha esquecido vieram à tona, juntamente com algumas bruscas mudanças de prioridade. Fiquei perplexa ao perceber como acontecimentos de dois anos pra cá, que parecem tão eternos e gigantescos se tornam pequenos e efêmeros frente às vivências com quem simplesmente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sempre&lt;/span&gt; esteve ali. Não que as mais recentes experiências, as novas -e maravilhosas- pessoas que conheci não tenham já marcado a ferro minha existência, mas a percepção disso(aquelas fichas de mil pontos que só caem com o tempo) surgirão apenas  depois de algumas décadas. Não sei explicar direito a angústia, felicidade, conforto e vontade de sair correndo que permearam esse final de semana (a sensação é parecida com a que tive vendo O Poderoso Chefão pela primeira vez).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estuprando uma frase famosa de alguém, eu digo que cada um sabe a dor e a delícia de ter a família que tem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-3670416277827000095?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/3670416277827000095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=3670416277827000095&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/3670416277827000095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/3670416277827000095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2007/09/feriado.html' title='Feriado'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-8024423881311519491</id><published>2007-08-28T20:56:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T01:04:31.994-02:00</updated><title type='text'>Bem vinda, Nina.</title><content type='html'>Essa é a Nina, minha nova filha. A adotei por esses dias,e aos poucos tenho conseguido conquistá-la apesar de todos os traumas pelos quais ela passou. É legal conviver com gatos, eles te forçam a ter um mínimo de pulso (mesmo nas  piores crises), senão desprezam mesmo. Um dia ela ainda sobe no meu colo voluntariamente, haha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/RtS4cVImp6I/AAAAAAAAAAM/f2gqKty7cso/s1600-h/GAA361_nina.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/RtS4cVImp6I/AAAAAAAAAAM/f2gqKty7cso/s320/GAA361_nina.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103907074566694818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Primeira foto que vi dela, pequena, assustada e presa numa gaiola minúscula...&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/RtS4dVImp7I/AAAAAAAAAAU/6wRF7TeQQ-0/s1600-h/curiosa.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/RtS4dVImp7I/AAAAAAAAAAU/6wRF7TeQQ-0/s320/curiosa.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103907091746564018" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Até ela sair debaixo da cama sozinha demorou...&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/RtS4eFImp8I/AAAAAAAAAAc/1wfJ36t0cQY/s1600-h/desconfiada.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/RtS4eFImp8I/AAAAAAAAAAc/1wfJ36t0cQY/s320/desconfiada.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103907104631465922" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Agora ela deixa eu chegar perto sem fugir (na maioria das vezes :P)&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/RtS4e1Imp9I/AAAAAAAAAAk/Rio1BAxg3j0/s1600-h/pregiui%C3%A7a.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/RtS4e1Imp9I/AAAAAAAAAAk/Rio1BAxg3j0/s320/pregiui%C3%A7a.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103907117516367826" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;E até faz manha... (a falta de pêlo na pata foi por causa da anestesia na hora de castrar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem tiver interesse e noção da responsabilidade que é adotar um bichinho que vai conviver com você por até 20 anos entre &lt;a href="http://www.eobicho.org/"&gt;nesse site&lt;/a&gt;, existem vários deles precisando de casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-8024423881311519491?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/8024423881311519491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=8024423881311519491&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/8024423881311519491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/8024423881311519491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2007/08/bem-vinda-nina.html' title='Bem vinda, Nina.'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_oToH1eVhXWo/RtS4cVImp6I/AAAAAAAAAAM/f2gqKty7cso/s72-c/GAA361_nina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-2768973378776325465</id><published>2007-08-22T19:27:00.001-03:00</published><updated>2007-08-22T19:35:58.766-03:00</updated><title type='text'>A andorinha e a Cachoeira</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Era uma vez uma cachoeira azul. Como toda cachoeira, ela possuía peixes coloridos, água cristalina e musgo nas pedras úmidas por sua constante névoa gelada. Era grandiosa a cachoeira, e todos os animais da floresta a admiravam e apreciavam a forma como ela sempre existiu ali. Era um elemento primordial, a cachoeira. Com seus litros infindos de água corrente, e aquele som constante que entra em nossas cabeças e parece se estabilizar com a corrente sanguínea, criando uma sensação de pertença interessante. Era eterna a cachoeira, e pra sempre suas águas correriam por ali, até o final dos tempos o sussurrar de águas em queda preencheria os ouvidos, mentes e corações dos moradores da floresta e de seus esparsos visitantes.  &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Todos amavam a cachoeira, menos uma pequena andorinha. Ela tinha inveja de suas águas tão fartas, e odiava saber que a cachoeira iria continuar a existir e ela , com suas penas ralas e bico quebradiço passaria, efêmera. Mesmo se destruísse a cachoeira, a marca que ela deixara nos corações e mentes dos bichos todos a eternizara há muito tempo. Era muito mais que uma simples cachoeira, era um símbolo para tudo o que existe de belo e correspondido no mundo. E a andorinha sabia disso, e invejava ,então, ainda mais a magnânima corrente de águas . Ela queria ter para onde correr como as águas dela. Ela queria ser segura e bela, para que pudesse criar alguma marca no coração e alma de quem quer que fosse.   &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; A andorinha vivia perto da cachoeira, e mesmo a odiando usufruía suas águas e frescor. E odiava mais ainda a cachoeira por causa disso a andorinha, visto que ela era generosa até com ela, com toda a sua mesquinharia e inveja.  Odiava saber que não fazia a mínima diferença para a cachoeira, ou para qualquer um dos bichos que fielmente idolatravam a rainha cristalina do vale.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Tanto se remoeu, tanto murmurou e alimentou a mágoa dentro de si que o coração da andorinha foi ficando cada vez mais duro e seco,  e a vida da andorinha cada vez mais sem sentido.Todavia, a cachoeira dava-lhe sombra e água fresca, e andorinha não queria sair de perto dela por mais que a simples existência da cachoeira com seu fluxo constante a diminuísse e lhe fizesse mal.  &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Até que um dia a andorinha resolveu que iria embora. Não se sabe ao certo o motivo, se foi fraqueza ou força o que a fez se distanciar da cachoeira. O que a fez voar para o último lugar em que veria tanta água junta, e tantas almas e corações marcados pelo sussurro onipresente delas. A andorinha seguiu para onde a água era escassa e tão mesquinha quanto ela, e se dirigiu para o lugar onde as areias são mais numerosas que as esperanças. Voou em direção ao deserto, obstinada ainda que um tantinho triste  por se afastar da segurança dolorida em que vivia.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Voou, passou por rios e fontes, e os odiou por terem em si, ressonantes, algum vestígio da cachoeira-mãe. Passou por bandos de animais que seguiam o canto silencioso da cachoeira, viu plantas exuberantes e coloridas ao longo do caminho, e as odiou por elas terem em suas folhas as reproduções, ainda que pequenas, daquela bela e incessante voz.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Até que a andorinha chegou ao deserto. Procurou nas areias amarelas e marrons, procurou em todas as pedras e no céu azul infinito, apurou os ouvidos e finalmente não mais ouviu o sussurrar das águas.  &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Parou para descansar, com seu bico seco e penas ralas, e pela primeira vez na vida ela inflou o peito e soltou um trinado estridente de alegria. Não havia mais a quem invejar! Ela sabia, sabia que esse dia chegaria, quando ela estaria livre da presença que instigava sua inveja.  &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Mas andorinhas não vivem de sol. No primeiro dia , animada, contente e incansável, ela voou pelos ares secos, quentes e cortantes do deserto. Admirava o sol e o agradecia por eliminar os sussurros de sua vida.  &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;No segundo dia ela voou mais baixo e ficou por algum tempo na sombra das pedras, tentando ignorar a secura de seu bico e as penas que fragilizadas, agora caíam.  &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;No terceiro dia ela fingiu que era normal sua voz desaparecer e a sua pequena traquéia arder.  &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;No quarto dia ela não conseguia mais voar.  &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;No quinto dia ela quis voltar para perto da cachoeira.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;No sexto dia ela percebeu que a inveja que ela sentira da cachoeira era algum tipo distorcido de amor.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;No sétimo dia ela soltou uma pequena lágrima, ouviu nela o fluir agora saudoso das águas, e morreu.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Seu pequeno corpo foi rapidamente coberto pelas areias quentes do deserto.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Ela não marcou almas nem corações, e não houve quem chorasse por ela.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;====================================================================&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Texto velho, porém propício. Ainda gosto dele. A repetição da palavra "cachoeira" é proposital. Queria saber usar aquarelas pra poder colocar no papel as imagens que vêm à minha cabeça quando o leio. Quem (dentre os cinco que lêem isso aqui) souber e não tiver nada melhor pra fazer, pode me dar esse presente.&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-2768973378776325465?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/2768973378776325465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=2768973378776325465&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/2768973378776325465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/2768973378776325465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2007/08/andorinha-e-cachoeira.html' title='A andorinha e a Cachoeira'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-4935699199593454396</id><published>2007-08-20T22:19:00.000-03:00</published><updated>2007-08-20T22:57:40.522-03:00</updated><title type='text'>Everybody's got something to hide except for me and my monkey</title><content type='html'>E eu me perdia nos cabelos negros como a mais incauta das andarilhas no asfalto mais quente do mundo. E os quilômetros de sensações eram mais do que podia suportar, com todas as suas ondas repetidas em algum padrão marciano bizarro que eu não faço a menor questão de compreender. Tudo se convertia em sensações, e palavras olhavam feias e cheias de dentes tentando interromper o fluxo de incessantes memórias agradáveis. As expulsei dali, com a facilidade de bocas mordidas  e todas as suas conotações. Elas tentaram voltar vez ou outra, impregnadas da dicotomia besta na qual cresci imersa todos esses vinte anos; mas o mais leve toque dos seus dedos em minha nuca era o suficiente pra tudo voltar a ser forma novamente, e que se danem as funções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"The deeper you go the higher you fly&lt;br /&gt;The higher you fly the deeper you go&lt;br /&gt;So come on come on&lt;br /&gt;Come on is such a joy&lt;br /&gt;Come on is such a joy&lt;br /&gt;Come on make it easy&lt;br /&gt;Come on make it easy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Take it easy take it easy&lt;br /&gt;Everybodys got something to hide except for me and&lt;br /&gt;My monkey."&lt;br /&gt;(Beatles)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-4935699199593454396?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/4935699199593454396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=4935699199593454396&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/4935699199593454396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/4935699199593454396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2007/08/everybodys-got-something-to-hide-except.html' title='Everybody&apos;s got something to hide except for me and my monkey'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-8310137212422917536</id><published>2007-08-10T00:43:00.000-03:00</published><updated>2007-08-10T01:15:17.011-03:00</updated><title type='text'>Apartamento  e expectativas (e  título com cara de tag)</title><content type='html'>Tenho definido muita coisa esses dias e criado as tão perigosamente inevitáveis expectativas. Um antigo vício, talvez até uma necessidade básica minha, que insisto em manter descaradamente. Mania em quem não se contenta em sentir de menos, acho. O apartamento ainda parece um campo de refugiados, com seus móveis desmontados e pó por toda parte. É uma sensação esquisita chegar em casa e ter o nada esperando; o nada, a poeira e os pedaços de madeira que já foram funcionais um dia. Ter a mim mesma esperando em cada cômodo, com minha cara estampada nas paredes, na bagunça, no lixo.   Essa mudança de recepção e percepção estimula tanto otimismo e pessimismo ao mesmo tempo que tudo culmina em um suspiro enquanto tento encaixar a chave tetra tão chatinha quanto eu na porta. E, assim que todos aqueles estereótipos de pessoa morando só  começam a contaminar a amostra de imagens aleatórias na minha cabeça,  mando todos à merda. Não me interessa comparar inutilmente e deixar de sentir ao máximo cada aspecto novo por aqui: dos banhos de porta aberta às conversas esquizofrênicas, passando por todos os vazamentos de pia e contas atrasadas.  Como ousaria eu poluir tudo isso com comparações bobas? Acho que experiências no mínimo interessantes acontecerão  sobre esse piso de madeira manchado. :)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-8310137212422917536?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/8310137212422917536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=8310137212422917536&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/8310137212422917536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/8310137212422917536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2007/08/apartamento-e-expectativas-e-ttulo-com.html' title='Apartamento  e expectativas (e  título com cara de tag)'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-2419568412213142433</id><published>2007-07-14T23:43:00.000-03:00</published><updated>2007-07-15T00:26:36.523-03:00</updated><title type='text'>Mais um post pretensioso.</title><content type='html'>Hoje, vendo clipes de  Faith no More no youtube (céus, quero meu hd com os álbuns deles de volta argh.), lembrei de algumas conversas que eu tive com o Loocas sobre os anos 90. Apesar de ter nascido no final dos  80, não me considero nem um pouco um fruto dessa década tão absurdamente colorida e dançante. Em parte -obviamente- por não ter vivido na minha pré-adolescência e adolescência tudo que é tão alardeado por aí. Meus maiores contatos com os anos 80 vieram de intermináveis sessões da tarde e muitas tardes ociosas levadas a biscoitos recheados e suco de caju -um viva pras crianças obesas-, não de influências musicais e quase nada de vestimentas. Pensando agora nos anos 90 (céus, tô ficando velha) me identifico muito mais. Excesso de informação, boom da internet, o crescente sentimento de foda-se generalizado... E pensando nisso resolvi fazer mais um daqueles posts pretensiosos de quem deseja definir em poucas palavras algum período de tempo. Devem existir pelo menos dois desses pra cada usuário da internet, mas foda-se.&lt;br /&gt;  O que pegou mesmo nas minhas divagações foi o contato com informação. Ou melhor, com o excesso dela, e a influência disso. Analisando as décadas anteriores à minha, a impressão que tenho é que nelas uma série de aficcionados surgiram, e independentemente do objeto de interesse, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;frisson&lt;/span&gt; (aumente aqui meus pontos de bicha em 10) era comum em todas as áreas : do doente que sabe klingon ou élfico aos milhares de covers, sósias, etc. Daí veio o já citado excesso de informação, e ficamos simplesmente sem tempo pra nos aficcionar à qualquer coisa. Início? Anos 90. Como tudo isso começou nessa década (e se intensificou ao final dela), nós ainda herdamos algum &lt;span style="font-style: italic;"&gt;frisson&lt;/span&gt; (20 pontos), e a informação até que serviu para deixarmos ainda mais apurados os gostos, curiosidades, coleções. Isso tem se perdido cada vez mais. Percebo isso à medida que envelheço, com a preguiça enorme de me prender a um tema, banda, estilo musical. Isso mesmo, preguiça. Afinal, sempre podemos deixar pra mais tarde aquelas cinco mil discografias que baixamos no emule, não? Isso fica muito, muito mais evidente quando perco algum tempo de contato com a internet (o que ocorre mais ou menos uma vez por ano), e há uma pausa temporária no fluxo absurdo de informações. Então, meus  interesses germinados antes do ponto de saturação de informação têm algum tempo pra crescer. Agora com a mudança e consequente afastamento temporário da web eu provavelmente poderei ler mais um pouco, prestar atenção nas últimas cinco bandas novas que conheci, quem sabe desenhar alguma coisinha e aprofundar algumas teorias. Ou quem sabe eu arrumo uma lan house.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-2419568412213142433?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/2419568412213142433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=2419568412213142433&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/2419568412213142433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/2419568412213142433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2007/07/mais-um-post-pretensioso.html' title='Mais um post pretensioso.'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-7602093590434786600</id><published>2007-07-06T15:10:00.000-03:00</published><updated>2007-07-06T15:50:40.854-03:00</updated><title type='text'>Mudanças físicas e estagnação mental</title><content type='html'>Enquanto o dia escorre viscoso e espero a visita de um possível comprador das tranqueiras das quais necessito me livrar, justifico superficialmente o tempo perdido com estudos escrevendo um texto aleatório. Tenho pensado bastante nesse apartamento, agora que irei sair dele. Conduta típica, sempre idealizo qualquer coisa ou pessoa quando existe a iminência de sua perda, e o&lt;a href="http://img476.imageshack.us/img476/2446/morrorx9.jpg"&gt; pedaço de montanha&lt;/a&gt; (ou seria um morro? foda-se, é verde) que vejo de minha varanda, juntamente com a senhora que costuma passar os finais de tardes em um estupor contemplativo, o casal com um bebê que sempre toma banho às sete da noite e a &lt;a href="http://img371.imageshack.us/img371/8576/corujawr4.jpg"&gt;estranha coruja de palha&lt;/a&gt; do apartamento em frente ao meu inspiram certas tendências nostálgicas. Contanto que esse tipo de atitude não atrapalhe futuras mudanças cruciais (tais como o fim de amizades antigas devido a ações imperdoáveis), tá tudo certo. Querendo ou não minha inspiração se alimenta dessa saudade antecipada, talvez até mais do que a maldita saudade presente, tão fria, voraz e destruidora até destas parcas tentativas de expressão.&lt;br /&gt;   Não tenho lido o Changeling, já que o desespero do final de semestre e a mudança comem meu tempo com um apetite assustador. Detesto a sensação das responsabilidades "adultas" sufocando minhas tentativas de ver o mundo com outros olhos. Apesar de algumas coisas me lembrarem os conceitos do livro (tais quais a música Panis et Circenses dos Mutantes), e lapsos de histórias de vários possíveis personagens surgirem ao longo do dia, minha mente tem se concentrado em conteúdos muito mais cinzas e angulosos (Quem dera fossem cenários da Tecnocracia , e não estatística e conceitos de teorias psicológicas). Talvez nas férias eu tenha tempo de me resolver com as cores, em meio a amigos (cada vez mais esparsos), família e a retirada temporária da preocupação com o que não vale a pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-7602093590434786600?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/7602093590434786600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=7602093590434786600&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/7602093590434786600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/7602093590434786600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2007/07/mudanas-fsicas-e-estagnao-mental.html' title='Mudanças físicas e estagnação mental'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-2058204187365390337</id><published>2007-07-05T23:00:00.001-03:00</published><updated>2007-07-05T23:01:02.050-03:00</updated><title type='text'>Um conselho</title><content type='html'>Nunca, nunca, eu disse NUNCA junte final de semestre com mudança de casa. E tenho dito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-2058204187365390337?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/2058204187365390337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=2058204187365390337&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/2058204187365390337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/2058204187365390337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2007/07/um-conselho.html' title='Um conselho'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-3493061530706683592</id><published>2007-07-02T15:27:00.000-03:00</published><updated>2007-07-02T15:46:37.920-03:00</updated><title type='text'>Changeling, nostalgia e surpresas.</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;    Fazer um blog me fez dar uma rápida olhada nos outros pedaços de mim que tenho deixado em bytes por aí. E, após tanto tempo de breves períodos de inspiração mergulhados numa apatia crescente, saiu mais um texto. Influência do livro de rpg que ganhei no meu agora já tão distante aniversário? Ou seria empolgação com mais um rastro virtual? Talvez uma preocupação narcísica em me ver estampada em lugares não tão cotidianos assim...Provavelmente tudo isso junto.&lt;br /&gt;    O dito livro de rpg que tenho lido chama-se Changeling: O Sonhar. E a inspiração que paira sobre esse título  é muito anterior aos meus vinte anos, e começou de forma aleatória em 2005, através de e-mails impressionantemente não spamzentos no orkut.  Quem me iniciou nesse sistema nem perfil tem mais, doce  ironia. As conversas agora são esparsas e raramente os devaneios nelas ultrapassam nossos tantos relacionamentos. Por causa dessa iniciação, Changeling adquiriu uma 'aura' de mistério antes mesmo de eu virar sua primeira página, e o conhecer por meio de relatos (na época) tão intensos já deu o brilho 'glamouroso' -terminologia changelística só aprendida muito depois- de que necessitava e necessito para divagar mais profundamente. Qual foi a minha surpresa ao tê-lo em minhas mãos alguns anos depois, muitos quilômetros depois, muitas e muitas mudanças depois! Às minhas mãos que  já achavam ter abandonado o mundinho encantado do roleplaying game (ah, tolinhas).  É um belo livro, com ilustrações agradabilíssimas que contribuem para o clima feérico da coisa. E eu sempre ficarei abismada com a minha capacidade de viajar toda vez que abro um livro da White Wolf, mesmo já detectando suas formulinhas pra criar mundos aleatórios, haha.  Em breve (medo de fazer essa promessa) desenhos, contos e, quem sabe, (finalmente!) uma campanha seja parida das minhas entranhas. Afinal, o primeiro livro próprio de rpg a gente nunca esquece.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-3493061530706683592?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/3493061530706683592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=3493061530706683592&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/3493061530706683592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/3493061530706683592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2007/07/changeling-nostalgia-e-surpresas.html' title='Changeling, nostalgia e surpresas.'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-689613413417712602.post-8612376684933044941</id><published>2007-07-01T14:52:00.001-03:00</published><updated>2007-07-01T15:11:39.190-03:00</updated><title type='text'>Olha só.</title><content type='html'>Após anos de negligência aos meus escritos, seja colocando-os em segundo plano a alguma foto ou desenho, seja os escondendo na gaveta mais funda ou em pilhas de xerox da faculdade, olha só,  cá estou eu fazendo um blog.&lt;br /&gt;   Nunca tive a pretensão de achar que meus pensamentos aleatórios valiam por si só... Acho que isso mudou. Inauguro pois o primeiro blog  da vida após tantos anos de internet e trocas de idéias por meio das mais variadas formas. Não sei se isso aqui vai durar, mas a vantagem(?) é que se eu passar alguns anos sem postar ele continuará aqui, então que seja.&lt;br /&gt;   O nome do blog é um trocadilho infame com minhas aulas de anatomia (RIP), uma das poucas informações sobre os campos funcionais do córtex cerebral que ainda restam no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;meu&lt;/span&gt; córtex cerebral. O giro pós central é responsável pelas sensibilidades em geral. Obviamente, isso se refere a receptores de estímulos externos e o caralho a quatro, não à maldita sensibilidade excessiva que povoa minhas crises.  Mas que seja, fica registrada a piadinha até conseguirem imprimir toda a internet e eu poder apagar  o que tenho por aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/689613413417712602-8612376684933044941?l=giroposcentral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giroposcentral.blogspot.com/feeds/8612376684933044941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=689613413417712602&amp;postID=8612376684933044941&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/8612376684933044941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/689613413417712602/posts/default/8612376684933044941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giroposcentral.blogspot.com/2007/07/olha-s.html' title='Olha só.'/><author><name>R.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-KHzp2GI3LZU/TZp5Di4TlQI/AAAAAAAAAKA/reuEkpoVECY/s220/tillmans02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
